FG News: Hidekazu Takayama foi eleito novo presidente da frente parlamentar evangélica

Postado em: 18-04-2017

A bancada evang√©lica na C√Ęmara est√° sob nova dire√ß√£o e ideologia de sempre. Sai o deputado-delegado Jo√£o Campos (PRB-GO), entra o deputado-pastor Hidekazu Takayama (PSC-PR).

Imagem redimensionadaSua prioridade √© clara: s√£o 29 men√ß√Ķes √† fam√≠lia em uma hora de entrevista no gabinete do novo presidente de uma frente que conta com 188 deputados signat√°rios (cerca de cem deles atuantes).

E não qualquer uma: aquela com homem e mulher, até porque onde já se viu "Adão casado com Evo, ou Eva com Ada", diz. "Se a Bíblia tivesse [esses casais], só teria os primeiros capítulos. Somos coerentes com as leis naturais."

O tema est√° aberto a discuss√Ķes, vide os confrontos constantes com alas √† esquerda no Congresso ‚Äďem 2015, a deputada √Črika Kokay (PT-DF) criticou o Estatuto da Fam√≠lia, que s√≥ reconhece a uni√£o entre sexos opostos, de "institucionalizar o preconceito", Takayama afirmou que "homem com homem n√£o gera", e ela rebateu: "N√£o gera, mas cria".

"Por que defendemos o Estatuto da Família com unhas e dentes? Ninguém é dono da verdade, mas entendemos que, se você tivesse dois pais, não estaria aqui, estaria? 'Ah, mas [gays] podem adotar.' Ok, mas já se torna uma coisa não natural", Takayama afirma à Folha.

Mais inquestion√°vel √© o aumento da influ√™ncia evang√©lica em Bras√≠lia nos √ļltimos anos. Na semana passada, o presidente Michel Temer recebeu no Pal√°cio do Planalto parte da bancada da f√©. Discutiram maconha, aborto, ideologia de g√™nero no curr√≠culo escolar e se alunos transexuais podem usar o banheiro que preferirem, "eles" ou "elas".

Os deputados foram taxativos: n√£o, n√£o, n√£o e nem pensar.

Temer disse que, pessoalmente, concordava, segundo relatos. No mesmo dia, o Minist√©rio da Educa√ß√£o divulgou documento que subtrai "identidade de g√™nero" e "orienta√ß√£o sexual" da nova base nacional curricular, que definir√° o que os alunos devem aprender da creche ao ensino m√©dio. As express√Ķes apareciam em texto que o MEC divulgou dois dias antes a jornalistas.

Na v√©spera da caravana ao Planalto, 13 deputados atenderam ao tradicional culto das quartas-feiras na C√Ęmara, num dos plen√°rios da Casa. Ou melhor, "12 mais um, ou 14 menos um deputados. N√£o podemos dizer [13], esse n√ļmero √© complicado", disse o pastor Eurico (PSB-PE) no p√ļlpito improvisado, refletindo esc√°rnio coletivo ao n√ļmero do PT.

Com a palavra, Takayama, 68, que lidera no Paran√° a Cristo Vive, uma das milhares de igrejas sob aba da Assembleia de Deus. "Voc√™ √© um pr√≠ncipe, Deus te colocou no Parlamento", pregou aos colegas. Tamb√©m os convocou a ser "luz" num momento em que "a sociedade questiona o parlamentar" e criticou jornalistas que os fustigam por recibos "de almo√ßos car√≠ssimos" ‚Äďcomer na capital n√£o √© barato, disse.

Em 2016, ele foi 92¬ļ deputado que mais pediu reembolso por alimenta√ß√£o, R$ 6.175, num gasto m√©dio de R$ 46,60 por refei√ß√£o, com gosto particular por palmito assado.

Takayama brinca que, pelos olhos puxados, no Brasil é confundido com um "cearense com conjuntivite".

Descendente de japoneses budistas, ele se converteu evangélico na adolescência, após "um irmão me falar muito de Jesus". "No ginásio quase caminhei para as guerrilhas, lá em Osasco, terra do capitão Lamarca. Entre a ideologia de esquerda e os ensinos de cristo, não tem como", afirma Takayama, que ainda assim se diz de esquerda, "por lutar pelos pobres".

Um projeto de lei que coassina com colegas evang√©licos prop√Ķe sustar decreto sancionado por Dilma Rousseff, que "disp√Ķe sobre o uso do nome social de pessoas travestis e transexuais" em √≥rg√£os federais, como estatais e universidades ‚Äďou seja, uma servidora trans batizada no masculino ter o direito de usar no crach√° o nome de mulher.

Outras propostas seguem o viés gospel, como a instituição do Dia da Oração, Adoração e Celebração a Deus e do Conselho Nacional de Ministros de Confissão Religiosa.

Tamb√©m j√° dividiu projeto com Jean Wyllys (PSOL-RJ): um pedido, em 2015, de audi√™ncia p√ļblica para "debater quest√Ķes relacionadas √† vulnerabilidade de brasileiros residentes no exterior, sobretudo mulheres com filhos".

BRIGA

Do chamado "baixo clero" da C√Ęmara, em seu quarto mandato na C√Ęmara, o novo l√≠der da frente evang√©lica virou not√≠cia em 2015 ao brigar com o motorista do ent√£o senador do PT Delc√≠dio Amaral, hoje preso na Lava Jato.

Diz o deputado que o funcion√°rio "jogou o carro nele". Foi tirar satisfa√ß√Ķes e levou um soco que deixou po√ßa de sangue no ch√£o. Na √©poca, Delc√≠dio disse que Takayama come√ßou a agress√£o. Ele nega. "Eu, com 1,60 m e pouco, o homem devia ter dois metros, boxeador de MMA... Sou protegido pelo Estatuto do Idoso, querida."

Uma briga que n√£o comprou: absteve-se na vota√ß√£o que cassou o ex-presidente da C√Ęmara Eduardo Cunha, condenado na Lava Jato ‚Äďque Takayama diz gostar, lembrando que um de seus coordenadores, o procurador Deltan Dallagnol, √© evang√©lico.

"Tive um período doente, cirurgia, enfarto. De repente foi nessa época." A operação aconteceu um ano antes.

Takayama continua: "Tinha simpatia por ele pelo fato de ser evangélico, fiquei muito horrorizado. Até mau apóstolo existe. Jesus tinha Judas, tinha Tomé, que não botava um pingo de fé, Pedro, o cortador de orelha..."

Fonte: Folha de S√£o Paulo