FG News: OAB e Igreja criticam reforma da Previdência e pedem auditoria no INSS

Postado em: 19-04-2017

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), representante da Igreja Católica, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e o Cofecon (Conselho Federal de Economia) publicaram nesta quarta-feira (19) uma nota conjunta na qual criticam a reforma da Previdência proposta pelo governo e pedem que seja feita uma auditoria nas contas da Previdência Social.

As tr√™s entidades defendem que "sem n√ļmeros seguros e sem a compreens√£o clara da gest√£o da Previd√™ncia, torna-se imposs√≠vel uma discuss√£o objetiva e honesta" sobre a reforma.

Na nota, as entidades tamb√©m criticam a falta de discuss√£o do tema e o ritmo apressado com o o qual o governo tenta aprov√°-lo no Congresso Nacional. "A reforma da Previd√™ncia n√£o pode ser aprovada apressadamente, nem pode colocar os interesses do mercado financeiro e as raz√Ķes de ordem econ√īmica acima das necessidades da popula√ß√£o. Os valores √©tico-sociais e solid√°rios s√£o imprescind√≠veis na busca de solu√ß√£o para a Previd√™ncia", diz o documento.

Prejuízo aos mais pobres

Outro argumento das entidades é que a reforma, da maneira como está, prejudicaria os mais pobres. Segundo a nota, dois terços dos aposentados e pensionistas recebem o benefício no valor de um salário mínimo, enquanto 52% não conseguem completar os 25 anos de contribuição.

"Não é correto, para justificar a proposta, comparar a situação do Brasil com a dos países ricos, pois existem diferenças profundas em termos de expectativa de vida, níveis de formalização do mercado de trabalho, de escolaridade e de salários", afirma o documento.

Al√©m disso, a nota conjunta diz que a reforma da Previd√™ncia vai na dire√ß√£o oposta ao crescimento econ√īmico e √† gera√ß√£o de empregos, pois "agrava a desigualdade social e provoca forte impacto negativo nas economias dos milhares de pequenos munic√≠pios do Brasil".
Governo diz que argumento é mentira

O governo, por sua vez, nega que a reforma da Previd√™ncia v√° prejudicar a popula√ß√£o mais pobre. Na √ļltima ter√ßa-feira (18), o presidente Michel Temer afirmou que esse √© um argumento "mentiroso".

"Convenhamos, ninguém quer fazer mal ao país. Dizem que essa reforma da Previdência vai pegar os pobres. Vou usar uma palavra forte: mentira. Mentira, porque 63% do povo brasileiro ganha salário mínimo, portanto, [a reforma] não vai atingir os pobres. Os que resistem e fazem campanha são os mais poderosos, são aqueles que ganham mais", disse o presidente.

Fonte: UOL