FG News: Silas Malafaia defende impeachment de Temer horas antes da reuni√£o marcada com o presidente

Postado em: 18-05-2017

As declara√ß√Ķes dadas por Joesley Batista, dono da JBS, comprometem a perman√™ncia de Michel Temer como presidente do Brasil. J√° h√° milhares de brasileiros pedindo o impeachment do presidente e o pastor Silas Malafaia faz parte deste coro.

Imagem redimensionadaApós tentar manter a normalidade, o presidente Temer manteve a sua agenda desta quinta-feira. O peemedebista chegou ao Planalto pouco antes das 8h e, em seguida, se reuniu com o coordenador da bancada do Acre no Congresso Nacional, senador Sérgio Petecão (PSD), e parlamentares do estado. Por volta das 10 horas, toda a sua agenda do dia foi cancelada.

Com reunião marcada com o presidente para esta quinta-feira, onde discutiriam sobre a Reforma da Previdência, Malafaia resolveu pedir a saída de Michel Temer da presidência.

‚ÄúN√£o adianta chorar! Comprovada a den√ļncia contra Temer, impeachment!‚ÄĚ, escreveu o l√≠der religioso no Twitter. Ele comentou tamb√©m sobre as den√ļncias contra A√©cio: ‚ÄúContra A√©cio, cassa√ß√£o!‚ÄĚ.

Ciente que os deputados da oposição já entraram com pedidos de impeachment contra Temer, Malafaia afirmou que eles não têm moral para tal ato, pois foram contra a saída de Dilma Rousseff.

‚ÄúO PT vai pedir a ren√ļncia de Temer. Porque n√£o pediram a ren√ļncia de Dilma? Cambada de oportunistas que n√£o tem moral para falar de ningu√©m‚ÄĚ, declarou.

Contra o deputado Alessandro Molon, que protocolou o pedido de impeachment assim que o jornal O Globo noticiou as den√ļncias contra o presidente, Malafaia tamb√©m fez ironias.

‚ÄúEssa √© a moral do deputado Molon> Foi contra o impeachment de Dilma, √© o 1¬ļ a pedir o impeachment de Temer. N√£o tem moral! C√≠nico!‚ÄĚ

Para Malafaia todos os deputados que foram a favor da sa√≠da de Dilma podem pedir a sa√≠da de Temer, os que foram contra n√£o t√™m esse direito. ‚Äúqualquer deputado tem moral de pedir o impeachment de temer, menos os deputados do PT, PSOL, Rede, PC DO B. Cambada de c√≠nicos oportunistas!‚ÄĚ





Governo corre atrás de evangélicos e católicos por respaldo a reformas

O apoio √†s reformas trabalhista e previdenci√°ria pode n√£o cair dos c√©us ‚Äďj√° das igrejas √© uma possibilidade no radar do Pal√°cio do Planalto.

O governo Michel Temer intensificou o contato com l√≠deres religiosos nos √ļltimos meses, ap√≥s detectar resist√™ncia ao tema por parte da Igreja Cat√≥lica e de minist√©rios evang√©licos ‚ÄĒque juntos representam 80% da popula√ß√£o brasileira.

O presidente ou emissários como o ministro Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) vêm povoando suas agendas com lideranças do meio.

Do lado cat√≥lico: o presidente da CNBB (Confer√™ncia Nacional dos Bispos do Brasil), dom S√©rgio da Rocha, o embaixador do Vaticano no Brasil, Giovanni d'Aniello, e o arcebispo de Diamantina (MG), dom Darci Nicioli ‚ÄĒque comparou a CLT "a uma senhora muito antiga que precisa de atualiza√ß√£o", o que por√©m deve ser feito com "participa√ß√£o do povo".

Na seara evang√©lica, televangelistas como R.R. Soares, Valdemiro Santiago e Samuel C√Ęmara. Nesta quinta (18) seria a vez de Temer receber no em Bras√≠lia Silas Malafaia, voz simp√°tica √†s reformas ‚ÄĒquando a trabalhista foi aprovada na C√Ęmara, o pastor felicitou os deputados no Twitter: "PARAB√ČNS! [A nova lei] acaba com o imp√©rio do sindicalismo. Os que n√£o gostaram s√£o os petralhas e esquerdopatas".

Como j√° informado, toda a agenda do dia do presidente Temer foi cancelada.

À Folha o pastor aposta em Temer: "Alguém tem que fazer o jogo sujo e pagar o preço da impopularidade para não deixar o troço [Estado] quebrar em alguns anos". Está afinado com o bispo e ex-deputado Robson Rodovalho, da Sara Nossa Terra (ex-igreja de Eduardo Cunha).

"O remédio é amargo", mas "entendemos que as reformas são importantes para o equilíbrio financeiro do país", diz Rodovalho, que preside a Confederação dos Conselhos de Pastores do Brasil (uma entre várias entidades que falam pela classe, dada a descentralização do poder evangélico).

Malafaia e Rodovalho divergem da maioria da bancada evang√©lica na C√Ęmara. Presidente da frente (com cerca de 90 deputados), Hidekazu Takayama (PSC-PR) diz que ainda n√£o se convenceu a votar "sim" pela nova Previd√™ncia. Seus colegas, idem. "Hoje, a tend√™ncia √© o governo perder."

O deputado Ronaldo Fonseca (Pros-DF), ligado à maior das Assembleias de Deus, o ministério Belém, afirma que "Temer é indigesto" para o fiel padrão. "A bancada tem muita penetração em camadas menos favorecidas. Esse povo está com medo, pois não vive de aluguel, de renda complementar. Vive de aposentadoria. Chega o governo com terrorismo, dizendo que [seus benefícios] vão acabar..."

O Planalto detectou uma press√£o grande de religiosos sobre o debate, que estaria contaminado pela vers√£o original da reforma da Previd√™ncia. Com lideran√ßas, Temer e correligion√°rios adotam o discurso de que o texto mudou, agora beneficia institui√ß√Ķes filantr√≥picas ligadas a igrejas e se alinha √† doutrina crist√£.

A estratégia surtiu efeito, segundo avaliação do Planalto, que coleta menos relatos de críticas em missas e cultos.

O receio com mudan√ßas que comprometam os mais pobres conduziu nota divulgada em mar√ßo pela alta c√ļpula cat√≥lica no pa√≠s. O texto evoca passagem do Antigo Testamento ("ai dos que fazem do direito uma amargura e a justi√ßa jogam no ch√£o") ao criticar modifica√ß√Ķes na aposentadoria.

Em carta a Temer, o pr√≥prio papa Francisco disse que s√£o sobretudo "os mais pobres" que pagam "o pre√ßo mais amargo" por "solu√ß√Ķes f√°ceis e superficiais para crises", sem explicitar quais seriam estas.

H√° duas semanas, Temer disse que a oposi√ß√£o vinha de "uma parte da CNBB e nada mais do que isso", apesar de assinarem notas contr√°rias √†s suas propostas o presidente, e o vice da CNBB. Tamb√©m signat√°rio, o secret√°rio-geral da entidade, dom Leonardo Steiner, reconhece "vis√Ķes [internas] diferentes", mas discorda que "a contrariedade seja apenas de parte do episcopado".

Voz dissonante : o arcebispo de SP, dom Odilo Scherer, defensor das reformas. "√Č necess√°rio faz√™-las e faz√™-las bem."

Fonte: JM Notícia e Folha de São Paulo