FG News: Luteranos recebem documento do Vaticano com "desalento"

Postado em: 12-07-2007 A Igreja Evang√©lica de Confiss√£o Luterana no Brasil (IECLB) recebeu o documento "Respostas a quest√Ķes relativas a alguns aspectos da doutrina sobre a Igreja‚ÄĚ, divulgado ontem pela Congrega√ß√£o para a Doutrina da F√©, do Vaticano, com "desalento".

O pastor presidente da igreja brasileira, Walter Altmann, que tamb√©m √© o moderador do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), lembra, em nota, que a IECLB expressa na sua Constitui√ß√£o ter "v√≠nculos de f√©" com toda as igrejas que confessam a Jesus Cristo como Senhor e Salvador e mant√©m rela√ß√Ķes estreitas com as igrejas que compartilham seu compromisso ecum√™nico.

Assim, a IECLB "não nega a classificação de igreja a nenhuma das igrejas centradas na fé em Cristo, e tampouco passará a fazê-lo em relação àquelas igrejas que, em sua autodefinição, não a reconhecem como igreja em sentido pleno".

O documento do Vaticano reafirma, em 16 p√°ginas, o primado absoluto da Igreja Cat√≥lica, entendendo-se como "a √ļnica Igreja de Cristo, que no S√≠mbolo confessamos como sendo una, santa, cat√≥lica e apost√≥lica". Mais adiante, o documento agrega: "Esta Igreja, como sociedade constitu√≠da e organizada neste mundo, subsiste na Igreja Cat√≥lica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunh√£o com ele".

Em relação às igrejas nascidas da Reforma protestante do século XVI, o documento da Congregação para a Doutrina da Fé assinala que, segundo a doutrina católica, elas sequer podem ser chamadas de "igrejas", pois "não têm a sucessão apostólica no sacramento da Ordem e, por isso, estão privadas de um elemento essencial constitutivo da Igreja".

No compromisso ecum√™nico, frisa a nota assinada por Altmann, "o desalento deve vir acompanhado, ainda que com dificuldade, do pleno respeito √† defini√ß√£o eclesiol√≥gica de cada igreja". A IECLB reconhece que o documento √© dirigido ao p√ļblico interno da Igreja Cat√≥lica, mas n√£o √© de surpreender, afirma, que posi√ß√Ķes internas tenham repercuss√£o nas demais igrejas, que "podem e devem externar suas pr√≥prias preocupa√ß√Ķes com o futuro do ecumenismo".

O reverendo Manoel de Souza Miranda, da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPU), que esteve com o papa Bento XVI em S√£o Paulo, em maio, definiu o documento, em entrevista para a Folha de S√£o Paulo, como "hostil ao ecumenismo". Ele espera que, apesar do constrangimento causado pelo texto, a Igreja Cat√≥lica no Brasil continue sua trajet√≥ria no ecumenismo, pois trata-se de "um caminho irrevers√≠vel, apesar das opini√Ķes do Vaticano.

Para o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), o documento agora divulgado não traz "nenhum elemento novo que atinja a causa da unidade dos cristãos, pois são todos assuntos já postos na mesa dos diálogos ecumênicos".

O documento da Congrega√ß√£o para a Doutrina da F√©, em forma de perguntas e respostas, reporta-se ao que j√° foi expresso no documento "Dominus Iesus", divulgado em 2000. "As 'respostas‚Äô mostram que Bento XVI continua firme em suas convic√ß√Ķes de defender o Cristianismo contra o relativismo contempor√Ęneo e para isto ele aponta para a Igreja Cat√≥lica como a √ļnica que, atrav√©s de sua continuidade hist√≥rica, √© capaz de manter uma refer√™ncia moral e religiosa da heran√ßa crist√£", aponta o CONIC.

E complementa: "Ao afirmar isto, o papa indica que apenas na Igreja Católica estes valores podem ser encontrados de forma plena, pois nela subsistem os valores imutáveis do Cristianismo originário". Apesar da repercussão que o recente documento do Vaticano gerou, o CONIC convida todas as igrejas a continuarem a reflexão e a persistirem na oração pela unidade dos cristãos, cada um na sua identidade, mas abertos ao diálogo e partilha da fé.

O documento do Vaticano √© ‚Äúum passo atr√°s‚ÄĚ, definiu para o portal de not√≠cias da Globo o pastor Leonildo Silveira Campos, pastor da Igreja Presbiteriana Independente e professor na Universidade Metodista de S√£o Paulo. Ele teme que o documento d√™ for√ßa a setores mais conservadores das igrejas crist√£s, que n√£o querem o di√°logo ecum√™nico.

Fonte: ALC