FG News: Ex-pastor diz que adolescente morreu por flagrar sexo entre pastores

Postado em: 30-05-2008 O adolescente Lucas Terra foi assassinado porque flagrou o pastor Fernando Aparecido da Silva mantendo relação sexual com o pastor Joel Miranda, dentro da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), situada na Pituba.

A declara√ß√£o foi feita pelo ex-pastor auxiliar S√≠lvio Roberto Galiza, condenado a 18 anos pelo crime, durante interrogat√≥rio feito pelo juiz Vilebaldo Freitas, titular da 2a Vara do J√ļri, no F√≥rum Ruy Barbosa, em Nazar√©, no processo que julga a participa√ß√£o do pastor no homic√≠dio. O promotor Davi Gallo Barouh, do Minist√©rio P√ļblico Estadual, comemorou a revela√ß√£o feita por Galiza na manh√£ de ontem, dizendo ter finalmente descoberto a motiva√ß√£o do assassinato.

Galiza afirmou ainda que a c√ļpula da Igreja Universal na Bahia sabia do envolvimento de Silva e Miranda no desaparecimento do adolescente. O ex-pastor condenado pelo crime tamb√©m acusou de envolvimento no caso um seguran√ßa do pastor Fernando de prenome Lu√≠z Cl√°udio, at√© ent√£o desconhecido.

Durante mais de tr√™s horas de interrogat√≥rio, iniciado por volta das 9h, Galiza respondeu √†s perguntas formuladas pelo juiz C√°ssio Miranda, pelo promotor Davi Gallo e pelo advogado de defesa do pastor Fernando, M√°rio de Oliveira Filho. O magistrado iniciou questionando ao ex-pastor auxiliar se ele confirmava as duas vers√Ķes apresentadas ao Minist√©rio P√ļblico no in√≠cio de 2006. Galiza negou ter participado da morte do adolescente e acusou o pastor Fernando e o pastor Joel.

Galiza disse que não contou a verdade anteriormente porque foi ameaçado de morte pelos dois acusados e pelo segurança Luiz Cláudio. Segundo o ex-pastor auxiliar, a primeira ameaça que teria sofrido ocorreu dentro da Igreja Universal, na Avenida Manuel Dias da Silva, bairro da Pituba, quando ele descobriu casualmente um corpo humano em um caixote de madeira, coberto por panos. O corpo teria sido visto por ele dentro do porta-malas do Gol de cor verde, utilizado pelo pastor Fernando, na noite de 22 de março de 2001, um dia após o desaparecimento do adolescente Lucas Terra.

Segundo a versão confirmada por Galiza ontem, Fernando, Joel e Luiz Cláudio teriam dito que ele viu demais e o ameaçaram de morte, caso contasse o que tinha encontrado na mala do carro. O pastor teria dito que, se o pastor auxiliar falasse algo, o fim dele seria igual ao de Lucas. Na manhã do dia 23, o corpo de Lucas Terra (identifcado posteriormente) foi encontrado carbonizado, junto com uma caixa de madeira, num terreno baldio, na Avenida Vasco da Gama, onde atualmente funciona uma loja do supermercado Extra.

Desaparecimento - S√≠lvio Galiza confirmou que saiu junto com Lucas e o pastor de prenome Luciano, da Igreja Universal do bairro de Santa Cruz, na noite de 21 de mar√ßo de 2001, data em que o adolescente desapareceu. O ex-pastor auxiliar e Lucas teriam embarcado num √īnibus, sendo que a v√≠tima desceu no ponto pr√≥ximo √† Ceasa do Rio Vermelho, com inten√ß√£o de tomar outro coletivo para a sede da Iurd da Pituba, onde tinha marcado encontro com o pastor Fernando.

Conforme seu depoimento, Galiza teria seguido no mesmo √īnibus at√© o Rio Vermelho, dirigindo-se √† igreja onde morava. O condenado conta que, na mesma noite, o pastor Fernando chegou ao templo do Rio Vermelho acompanhado por Lucas, a bordo do volkswagen Gol verde. O adolescente aparentava ter chorado, tendo a voz tr√™mula e olhos vermelhos, al√©m de apresentar hematomas na regi√£o do pesco√ßo.

Quando Galiza questionou o que tinha ocorrido com Lucas, o pastor Fernando disse que depois contava e mandou que ele comprasse um lanche para o adolescente. Para o ex-pastor auxiliar, Fernando levou Lucas até o Rio Vermelho para tentar incriminá-lo, porque várias pessoas veriam os dois juntos na loja de conveniência, localizada num posto de combustível próximo. No trajeto até o posto, Lucas revelou a Galiza ter flagrado Fernando e Joel fazendo sexo na igreja da Pituba após o culto. O pastor teria estrangulado Lucas e o ameaçado de morte, caso ele contasse o que viu.

Galiza contou ainda que retornou com Lucas ao templo da Iurd, situado a poucos metros, de onde o adolescente partiu imediatamente, levado pelo pastor Fernando, a bordo do Gol verde. O ex-pastor auxiliar alegou ter visto Lucas Terra vivo pela √ļltima vez na noite de 21 de mar√ßo de 2001.

Advogado busca contradi√ß√Ķes

Depois de Galiza ter confirmado a vers√£o que contou ao Minist√©rio P√ļblico e √† pol√≠cia em 2006, o advogado de defesa do bispo Fernando, M√°rio de Oliveira Filho, come√ßou a questionar o ex-pastor auxiliar, na tentativa de flagrar contradi√ß√Ķes entre o depoimento atual e as declara√ß√Ķes feitas anteriormente. ‚ÄúA palavra de Galiza n√£o tem validade nenhuma. Ele √© um condenado, acusando um dois homens honestos‚ÄĚ, disparou Oliveira Filho.

O advogado tamb√©m tentou demonstrar a liga√ß√£o √≠ntima entre Galiza e Lucas, perguntando sobre um epis√≥dio em que os dois dormiram juntos numa cama, na Igreja Universal do bairro da Santa Cruz. Galiza confirmou o fato, mas negou que tivesse poder sobre o adolescente, inclusive impedindo um namoro dele com uma jovem que freq√ľentava o mesmo templo. O advogado admitiu que sua estrat√©gia √© desqualificar Galiza, demonstrando que ele √© mentiroso.

O promotor Davi Gallo achou estranho que o advogado de defesa n√£o tenha feito nenhum questionamento sobre o dia do desaparecimento de Lucas, para rebater a vers√£o de Galiza. O promotor considerou ‚Äúsuicida‚ÄĚ a estrat√©gia da defesa de desqualificar o condenado, em vez de defender o pastor Fernando.

Pai se revolta com revelação

O pai do adolescente Lucas Terra, o empres√°rio Jos√© Carlos Terra, disse que ficou ‚Äúrevoltado e chocado‚ÄĚ com a revela√ß√£o de que seu filho foi assassinado porque flagrou o pastor Fernando Aparecido e o pastor Joel Miranda fazendo sexo, dentro do templo da Iurd na Pituba. ‚ÄúFiquei muito revoltado ao saber que meu filho foi morto porque flagrou um ato homossexual entre os dois representantes da igreja‚ÄĚ, desabafou, emocionado.

José Carlos acrescentou que Sílvio Roberto Galiza sempre escondeu a verdade, mas que, como pai, sempre acreditou na Justiça e agora a verdade começa a aparecer.

O empres√°rio acrescentou ainda que ficou decepcionado com a informa√ß√£o de Galiza de que a c√ļpula da Iurd sabia do envolvimento do bispo Fernando e do pastor Joel no desaparecimento do adolescente. ‚Äú√Č um sentimento de decep√ß√£o com a Universal, esperava que os assassinos do meu filho fossem colocados para fora da igreja, mas isso nunca aconteceu‚ÄĚ, declarou Jos√© Carlos.

A mãe de Lucas, Marion Terra, espera que todos os autores do crime paguem pelo assassinato do seu filho. Ela disse ainda estar alegre, por ter certeza de que agora a verdade vai aparecer e ninguém ficará impune. Considerou ainda uma contradição a Iurd defender Sílvio Roberto Galiza, no início do caso, e agora o advogado contratado pela igreja para defender pastor Fernando, acusar o ex-pastor auxiliar.

Na pr√≥xima ter√ßa-feira, a Justi√ßa deve realizar uma acarea√ß√£o entre S√≠lvio Galiza e o pastor Fernando para esclarecer as contradi√ß√Ķes reveladas nas vers√Ķes apresentadas por ambos nos depoimentos. Algumas testemunhas tamb√©m devem ser ouvidas, mas ainda n√£o se sabe se isso acontecer√° antes ou depois da acarea√ß√£o. A defesa do pastor Fernando deve impetrar, ainda hoje, um pedido de habeas-corpus junto ao Tribunal de Justi√ßa da Bahia para tentar que ele responda ao processo em liberdade.

O promotor Davi Gallo disse que vai solicitar à Igreja Universal que identifique o segurança de prenome Luiz Cláudio, acusado por Sílvio Galiza de envolvimento no desaparecimento de Lucas. O outro acusado de participação no assassinato do adolescente, o pastor Joel Miranda, continua foragido.

Fonte: Aqui Salvador