Missões: Cristãos agredidos são acusados de tentativa de assassinato

Postado em: 03-10-2006 Sete cristãos que trabalham na Sociedade Missionária Indiana (IMS, sigla em inglês), em Gujarat, na Índia, foram libertados sob fiança na manhã de 29 de setembro. O grupo foi acusado de tentativa de assassinato depois que extremistas hindus armaram uma cilada e assaltaram os cristãos na semana anterior.

Os extremistas agrediram os missionários, tomaram seus pertences e os advertiram das terríveis conseqüências a que estariam sujeitos, caso continuassem a difundir o evangelho naquela área. Em seguida, um dos extremistas, Kanji Nayak, registrou uma queixa contra eles, alegando que os cristãos tinham tentado atirar nele depois que ele se recusou a se converter.

Um oitavo integrante do grupo, o pastor Dasrath Nanji Dilwad, permanece sob custódia policial e seu caso foi transferido para o Supremo Tribunal. Dasrath Dilwad também foi acusado de uso indevido de arma de fogo.

O grupo de oito missionários da IMS estava voltando para casa de um encontro de oração na tarde da quarta-feira, 20 de setembro, quando ocorreu o ataque. O pastor estava acompanhado de sua esposa, Manjula Bhen; Mankar Samsu Katila e sua esposa Saburi Bhen; e quatro outro companheiros, Valaibhai Santubhai Damor, Samsubhemla Katila, Gala Sabur Patel e Madhu Jagan Baria.

Assim que eles iniciaram a volta para casa, aproximadamente 15 extremistas os cercaram, agredindo-os com cacetetes de madeira. Uma das mulheres, Manjula Bhen, sofreu graves contusões.

“Primeiro achamos que eram apenas ladrões”, contou ela ao Compass. “Mas eles nos agrediam com cacetetes e nos ofendiam por termos ido orar na aldeia deles. Eles também nos avisaram para ficarmos longe da aldeia e para não voltarmos para converter as pessoas”.

Antes de fugir, o grupo confiscou dois telefones celulares, uma corrente de ouro, brincos algum dinheiro e as Bíblias que as vítimas carregavam.

Acusação de tentativa de assassinato

No dia seguinte, quando os cristãos tentavam relatar o incidente na delegacia de Devaghad Bariya, o inspetor de polícia G.R. Sharma disse a eles que uma pessoa chamada Kanji Nayak já tinha registrado uma queixa contra eles.

Em suas declarações à polícia, Kanji alegou que os cristãos tinham tentado convertê-lo à força – e que quando ele se recusou, o pastor Dilwad disparou dois tiros contra ele, tentando matá-lo.

Depois de uma breve investigação sobre as acusações de Kanji, a polícia prendeu os seis homens do grupo e os manteve sob custódia. As duas mulheres foram presas na segunda-feira, 25.

Na manhã do dia 29, quase todo o grupo foi libertado sob fiança, entretanto, Dasrath Dilwad foi mantido sob custódia e seu caso foi transferido para a Suprema Corte.

De acordo com o advogado dos cristãos, Tyab Dadi, os oito missionários foram acusados sob a Seção 307 do Código Penal por tentativa de assassinato. O pastor Dilwad foi também acusado sob a Seção 25 por uso ilegal de arma de fogo. Mas os cristãos locais que conhecem os trabalhadores da IMS afirmam que as acusações são uma farsa grosseira.

Preconceito contra cristãos

O reverendo D. Vethanbu, secretário geral da IMS, disse ao Compass que é evidente que os extremistas atacaram os cristãos, e não o contrário.

“Conheço o pastor Dilwald pessoalmente há dois anos – embora ele já trabalhe com a IMS há 20 anos. Essas acusações são obra dos extremistas que recorrem a todos os métodos para prevenir a difusão do evangelho”, disse Vethanbu.

O reverendo Samuel Ravi, coordenador regional de campo da IMS, também acredita que o incidente foi um ataque planejado ao grupo. “Eles fizeram acusações muito sérias contra esses cristãos e isso tem muitas implicações políticas”.

De acordo com Samson Christian, secretário do Conselho Cristão Global da Índia, o incidente – ocorrido apenas um dia depois da aprovação da emenda que reforça a Lei de Liberdade Religiosa de Gujarat – aponta para um preconceito anticristão no Estado.

“O governo estadual quer claramente provar que os cristãos estão envolvidos em conversões forçadas e eles precisam de estatísticas para comprovar suas afirmações”, disse Samson Christian.

Enquanto isso, Vethanbu apelou a todos os cristãos indianos para orar por aqueles que vivenciam essas experiências. “Orem do fundo do coração para que as feridas em seus corpos sejam curadas logo e que as cicatrizes sejam apagadas pelo nosso Senhor”, ele escreveu.

“Ore também pelas pessoas que cometeram esse crime”, pediu o líder da IMS.

Fonte: Portas Abertas