FG News: Candidatos de S√£o Paulo apostam na religi√£o para atrair eleitores

Postado em: 15-08-2008 Em se tratando de elei√ß√Ķes, toda ajuda √© bem-vinda. Inclusive a divina. Pensando nisso, os candidatos √† Prefeitura de S√£o Paulo n√£o poupam esfor√ßos para conquistar eleitores religiosos, independentemente da cren√ßa escolhida. No momento, evang√©licos e cat√≥licos dividem as aten√ß√Ķes dos prefeitur√°veis, mas h√° espa√ßo tamb√©m para mu√ßulmanos, judeus, esp√≠ritas, budistas e adeptos das religi√Ķes afro-brasileiras.

Nesta quinta-feira, o prefeito Gilberto Kassab (DEM), que tenta a reeleição, deve pedir a benção do padre Marcelo Rossi, em uma missa no Santuário do Terço Bizantino. Católico fervoroso, não é a primeira vez que Kassab pede uma forcinha aos céus. No início de agosto, ele e o adversário tucano, o ex-governador Geraldo Alckmin, participaram de uma missa na Catedral da Sé em comemoração aos 50 anos de sacerdócio de dom Cláudio Hummes, ex-cardeal-arcebispo de São Paulo e atual prefeito da Congregação para o Clero no Vaticano.

Segundo a assessoria de Kassab, o prefeito vai à missa sempre que pode, mas também tem buscado se encontrar com líderes religiosos de outras igrejas, como as evangélicas Assembléia de Deus e Adventista do Sétimo Dia.

O encontro com l√≠deres religiosos e fi√©is n√£o √© exclusividade do democrata. Outros candidatos tamb√©m se dividem em agendas "sacras". A ex-prefeita Marta Suplicy (PT), por exemplo, tem encontros semanais com membros de diversas religi√Ķes. De acordo com o deputado Sim√£o Pedro (PT), respons√°vel pela agenda da candidata, Marta busca sempre visitar algum padre ou pastor nos bairros em que faz campanha. "√Č uma forma de nos informarmos sobre os problemas da regi√£o", explica.

Os encontros são uma forma também de diminuir a resistência que o eleitorado conservador possa ter em relação à petista. Isso porque Marta já declarou ser favorável à legalização do aborto e à união civil estável entre homossexuais, temas polêmicos entre os religiosos. "A prioridade da nossa agenda é dialogar com os setores para quebrar as resistências que possam existir. O encontro com os líderes abre um caminho para que os eleitores possam reavaliá-la", diz Simão.

Apesar de a candidata ter sido vaiada ao discursar na Marcha para Jesus deste ano, o deputado n√£o acredita que o fato reflita a percep√ß√£o dos evang√©licos em rela√ß√£o √† ex-prefeita. "Foi um fato isolado, mas ela foi muito aplaudida na Assembl√©ia de Deus", conta. Hoje, a candidata deve se reunir com representantes da comunidade esp√≠rita da capital. Mas a petista j√° visitou a Mesquita Brasil, se reuniu com representantes da comunidade judaica e programa visitas aos l√≠deres de religi√Ķes afro-brasileiras.

Fiéis

Os encontros com padres, bispos e pastores também são bem vistos pela campanha tucana. Segundo a assessoria de Alckmin, o candidato recebe cerca de seis convites para missas e cultos por semana, que tenta encaixar em sua agenda. Católico praticante, desde a época em que concorreu à Presidência, em 2006, o candidato vai à uma igreja diferente por semana assistir às missas.

Segundo a assessoria do tucano, a participa√ß√£o em cultos e os encontros com fi√©is s√£o boas oportunidades para conversar com diversas pessoas ao mesmo tempo, mas n√£o chegam a ser estrat√©gias de campanha. Segundo interlocutores, o tucano gosta de estar em contato com outras ideologias e outros pensamentos. Isso facilita porque re√ļne grandes grupos de pessoas, mas n√£o √© diferente do que reunir-se com pessoas de qualquer segmento.

A vereadora Soninha Francine (PPS), que tamb√©m disputa a vaga na prefeitura, afirma que pretende incluir a discuss√£o sobre a toler√Ęncia religiosa em sua campanha e projeto de governo. Budista, a apresentadora tem participado de encontros com l√≠deres de diversas religi√Ķes, e conta que visitou pela primeira vez um terreiro de umbanda recentemente.

Sobre a possibilidade de transferência de votos, tanto Soninha quanto deputado Simão Pedro acreditam que os encontros entre candidatos e líderes religiosos ajudam a conquistar a confiança dos eleitores "Todos costumam pedir a indicação para alguém em quem confiam sobre em que candidato votar. E as lideranças, sejam elas religiosas ou não, também acabam desempenhando esse papel", afirma Soninha.

Para o especialista Alberto Carlos Almeida, autor do livro "A Cabeça do Eleitor" (Editora Record), os encontros com líderes religiosos ajudam a influenciar os eleitores, na medida em que o candidato mostra que se importa com os interesses do seu eleitorado.

"Ao visitar uma igreja ou participar de um culto, por exemplo, você está valorizando uma parte importante da vida do eleitor. Mas o mesmo ocorre ao visitar o trabalho dele ou a região onde ele mora, ou seja, independe da questão religiosa", analisa.

Segundo Almeida, um fato que chama a aten√ß√£o, no entanto, √© a rejei√ß√£o que os eleitores cat√≥licos t√™m contra pol√≠ticos que constroem sua carreira nas religi√Ķes evang√©licas. "N√£o √© que os cat√≥licos rejeitam os evang√©licos, nada disso. Mas eles tendem a n√£o votar nos candidatos que t√™m sua trajet√≥ria pol√≠tica muito atrelada a isso", explica.

Fonte: Folha Online