FG News: Obama venceu, mas igualdade racial segue assunto delicado nos EUA

Postado em: 11-11-2008 A eleição de Barack Obama como o primeiro presidente negro dos Estados Unidos foi saudada com uma explosão de alegria pelos afro-americanos, mas uma igualdade racial de fato ainda parece distante da realidade do país.

A vitória de Obama é "um acontecimento histórico para derrubar as barreiras raciais nos Estados Unidos", estima Conrad Worrill, co-fundador do movimento National Black United Front (Frente Nacional Unida Negra) e professor da Northeastern Illinois University.

Falta saber ainda, no entanto, se "este momento da história nos levará realmente a mudar nossa atitude e a maneira como nos comportamos uns com os outros".

O professor afirma que cabe √† comunidade negra exting√ľir as conseq√ľ√™ncias sociais herdadas da escravid√£o e da segrega√ß√£o.

"Esta vitória não constitui, em si mesma, a mudança que esperamos", advertiu o próprio Barack Obama no discurso que fez na noite da eleição.

A mudança "não poderá acontecer se deixarmos as coisas como têm sido até agora. Não poderá acontecer sem vocês", insistiu Obama, diante das 240.000 pessoas que se reuniram em Chicago para ouvi-lo e comemorar sua vitória nas urnas.

Para Ron Hilson, morador negro de Chicago, esta eleição serve como fonte de esperança, mas apenas se a comunidade negra conservar o otimismo.

"Espero que isso perdure al√©m de hoje, de amanh√£ e da semana que vem", disse Hilson √† AFP, afirmando ser testemunha, em sua comunidade, dos danos provocados pela droga e pelas gangues de rua, al√©m do sucateamento das escolas, depois que os brancos se mudaram para os sub√ļrbios.

Ainda que seja verdade que cada um deve fazer um esfor√ßo para mudar sua pr√≥pria vida e comunidade, √© necess√°rio atacar os problemas estruturais, indica por sua vez Mark Sawyer, do Centro de Estudos Raciais, √Čtnicos e Pol√≠ticos da Universidade da Calif√≥rnia em Los Angeles (UCLA).

A questão fundamental é ver se Barack Obama "conseguirá estabelecer uma política que possa responder aos imensos problemas de desigualdade" que existem, disse Sawyer à AFP.

O risco da presidência de Obama é, paradoxalmente, o fato de que sua chegada ao poder nos Estados Unidos corre o risco de ocultar a persistência da desigualdade racial, destacou James Rucker, fundador do grupo de defesa dos direitos cívicos Color of Change (Cor da Mudança).

"Agora que temos um negro no posto mais alto e mais simb√≥lico, acho que para muitos americanos brancos parecer√° que os americanos negros t√™m menos raz√Ķes para protestar", explicou.

"O problema é que continua havendo discriminação dentro das casas e na educação; há crimes racistas e uma alta porcentagem dos presidiários do país é de negros. Tudo isso não desaparece por causa de uma eleição", estima Rucker.

"O tema, agora, já não é o racismo na forma de um homem usando um capuz branco (símbolo da organização racista Klu Klux Klan). O tema são as desigualdades e a chegada de um mudança pela qual votamos", resumiu o pastor Al Sharpton, uma das mais conhecidas caras do movimento pelos direitos cívicos nos Estados Unidos.

"Com um Congresso solidamente democrata e um presidente negro, se n√£o aprovarmos as leis para reparar o sistema educacional e o sistema penitenci√°rio, seremos simplesmente incompetentes", concluiu Sharpton.

Fonte: AFP