Sobre a Dilma no Programa do Jô

Coluna: CINEMÚSICA
Autor: Leon Neto

A recente aparição da presidente Dilma Rouseff no Programa do Jô, continua repercutindo em blogs e sites de mídia social, mesmo após mais de uma semana. Sinceramente, não entendo muito o porquê.

O programa, como o próprio título deixa claro, é do Jô; ele pode convidar a quem bem entender. E por sua vez a presidente pode aceitar o convite que bem quiser. Estranho é quando autoridades não aceitam serem entrevistadas. Aqui nos EUA, presidente da república frequenta programas de entrevista com certa regularidade e ninguém faz tanto estardalhaço assim. Não vou entrar nos detalhes do conteúdo da entrevista, para não deixar a coluna politizada demais, mas gostaria de fazer alguns comentários sobre a entrevista em si, já que muita gente ainda fala sobre o assunto. Não compreendo por quê Jô Soares passou a ser tão hostilizado por alguns, sendo acusado de fazer propaganda do governo. Cansei de ver o Jô criticando o governo Dilma no famoso “Jô e suas meninas”. Além disso, o Programa do Jô não é exatamente um programa jornalístico; é mais entretenimento do que qualquer outra coisa. Pobre de quem espera encontrar um norte politico nesse programa… Achei estranho a entrevista não ter ocorrido nos estúdios da rede Globo e com auditório, mas compreendo que a agenda de um presidente da república é bastante difícil de conciliar. Por outro lado, não seria nada impossível que os assessores da presidência tenham recomendado uma entrevista sem a presença de auditório num momento em que a popularidade da presidente escorre pelo ralo. Também fica bem claro, que Dilma só concordou com a tal entrevista, por conta das recentes declarações do entrevistador defendendo o governo dela. E de fato, Jô pegou bem leve com a presidente. Não fez nenhuma pergunta mais agressiva ou delicada e não colocou Dilma em “saia justa” em momento algum. Fica até difícil defender a tese dos que acusam a Globo de ser da “imprensa golpista”, depois de uma entrevista tão camarada. Seria bem mais interessante por exemplo, ver Dilma indo no Manhathann Connection ou no programa do Danilo Gentili; nesses, ela não teria a moleza que teve no Jô. O Obama parece que é um pouco mais corajoso; dia desses foi ao programa do Bill O’Reilly, da Fox News, que é declaradamente de direita. E o entrevistador não aliviou. Aos que acusam Jô de ter virado “Petista”, fica a pergunta: e se for? Qual é o problema? Ele como cidadão pode se manifestar do jeito que quiser inclusive no seu programa, desde que haja anuência da emissora que o emprega. Aqui nos EUA Oprah Winfrey, a famosa jornalista bilionária, ajudou muito a eleger Barack Obama para seu primeiro mandato. A única coisa que se espera é que tudo seja feito às claras, sem fingimento. Diogo Mainardi é um jornalista declarada e literalmente “Antagonista” ao governo Dilma e ao PT em geral e não há nenhum problema nisso. É uma ilusão achar que existe jornalismo totalmente isento; sempre há um viés. A única forma de balancear, equilibrar as coisas é quando existe total Liberdade de imprensa e de expressão. Por isso fica impensável falar em mais controle do estado sobre a imprensa no Brasil. Nossas leis eleitorais já são ultrarrestritivas com limitações legais até mesmo a piadas com candidatos! Isso sem falar no infame e absurdo horário eleitoral gratuito. Portanto, deixem o Jô entrevistar a quem ele quiser e deixem a presidente frequentar os programas que bem entender. A liberdade que eles tem, é a mesma liberdade que confere a nós e à imprensa livre o poder de criticar e denunciar abusos. Um abraço, Leon Neto

Published:  22-06-2015