Monges budistas estão tentando deixar Yangun, depois da repressão policial aos manifestantes que participaram dos protestos contra o governo militar de Mianmar.

Testemunhas contaram ter visto vários monges na estação ferroviária e rodoviária, enquanto motoristas de ônibus estariam se recusando a transportá-los por medo de não conseguir combustível.

Centenas de pessoas foram presas e a polícia continua realizando batidas noturnas.

Na terça-feira, o Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou uma resolução em que “deplora fortemente a violenta repressão aos protestos pacíficos em Mianmar” e pede que as autoridades recebam o relator especial para direitos humanos em Mianmar das Nações Unidas, Paulo Sergio Pinheiro, para avaliar a situação.

O enviado especial da ONU, Ibrahim Gambari, está preparando um relatório sobre sua recente visita ao país, quando se reuniu com militares da junta do governo e com a líder da oposição Aung San Suu Kyi.

Monges desaparecidos

Gambari chegou a Mianmar na semana passada, depois que imagens da violenta repressão aos protestos foram divulgadas para o mundo.

Segundo as autoridades, dez pessoas morreram, mas diplomatas e ativistas acreditam que este número seja bem maior.

Há informações de que centenas de monges foram detidos e fontes disseram à BBC que eles serão mandados para prisões no extremo norte do país. Há informações de que outros manifestantes estão desaparecidos.

Segundo informações de Yangun, cerca de 25 monges foram presos durante uma batida policial a um templo, na madrugada de quarta-feira.

Yangun está calma, com tropas patrulhando as ruas e advertindo manifestantes para que fiquem em casa. Uma testemunha contou que as pessoas parecem bastante amedrontadas.

Desertor

Também há informações de que um oficial do Exército de Mianmar fugiu para a Tailândia na, aparentemente, primeira deserção desde o início da violência.

O oficial, cuja unidade foi enviada a Yangun para coibir os manifestantes, disse que não queria espancar ou atirar em monges – que são venerados na sociedade birmanesa, e agora procura asilo.

O correspondente da BBC Chris Hogg disse que esta é uma rara demonstração de divisão entre os militares, e que grupos dissidentes deverão explorar o fato como prova de que alguns jovens oficiais são contra a violenta repressão.

Mas segundo os correspondentes da BBC não há sinais de que outros estejam preparados a seguir os passos do oficial que teria fugido para a Tailândia.

Fonte: BBC Brasil