A (CPI) Comissão Parlamentar de Inquérito da Pedofilia encerrou os trabalhos em Arapiraca (AL) na noite deste domingo (18) com a prisão de três pessoas, entre elas o monsenhor Luiz Marques Barbosa, 83 anos.

O pedido da prisão preventiva foi feito pelo presidente da CPI, senador Magno Malta (PR-ES), e decretada pelo juiz plantonista, Rômulo Valença.

“O pedido de prisão do monsenhor foi feito porque ele tirou passaporte em janeiro e demonstrou que tinha interesse de deixar o país”, explicou o juiz. Como é tenente-coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo, ele foi levado do Fórum da cidade, por volta das 21h30, direto para o Quartel Militar.

Além deles também foram presos o motorista do monsenhor, José Reinaldo, e a caseira dele, Maria Izabel. Eles tiveram a prisão temporária decretada por prestarem falso testemunho à CPI. Os dois foram levados para a Central de Polícia de Arapiraca.

Logo que soube do decreto de prisão, o monsenhor teve uma crise hipertensiva e precisou receber atendimento médico. “Foi uma surpresa. Eu tirei o passaporte, mas não ia sair do país. Eles entederam errado”, disse o monsenhor, visivelmente constrangido com a situação. Centenas de pessoas esperavam na porta do prédio para ver a saída dele.

O advogado do monsenhor, Edson Maia, afirmou que vai entrar com um pedido de hábeas corpus nesta segunda-feira (19). “Não havia necessidade da prisão, ainda mais por ele ser uma pessoa de 83 anos. Ele tirou passaporte há mais de três meses e não iria fugir do país. Se quisesse fazer isso, já teria feito”, explicou.

Para o senador Magno Malta, a prisão aconteceu também por conta do conjunto de provas contra ele que foram captadas durante os três dias de CPI. “Vem a coroar um trabalho de investigação. Existem provas fortes contra ele. A prisão dele é um marco para que outros religiosos não façam o mesmo. Mostra também que não há impunidade contra a pedofilia”, explicou.

O ex-coroinha Fabiano Silva Ferreira, que denunciou que o padre o abusa desde os 12 anos de idade, comemorou a decisão. “É o início da Justiça. O que nós queremos é que outros coroinhas não passem pelo que passemos”, contou ao UOL Notícias, instantes após a prisão.

Outros três padres também depuseram à CPI da Pedofilia, mas escaparam da prisão. O padre Edilson Duarte confessou a prática da pedofilia, no sábado, mas foi beneficiado com a delação premiada. Segundo o senador Magno Malta, ele já apontou o nome de outros padres supostamente envolvidos no esquema e passará a receber proteção policial.

Já o monsenhor Raimundo Gomes – que negou pedofilia – não foi detido por falta de provas de envolvimento dele no esquema, mas – na condição de investigado – ele não poderá deixar a cidade de Arapiraca. No momento em que foi anunciado que ele não seria detido, o religioso chorou copiosamente.

Já o último padre a depor, o alemão Benedikt Lennartz, da paróquia de Craíbas, foi denunciado pelo Ministério Público Federal por suposto crime de pedofilia pela Internet.

Ele explicou aos membros da CPI que o computador dele era utilizado por um funcionário, que – segundo ele – seria o responsável pelo acesso a sites de pornografia infantil e de relacionamento. Os dois foram convocados a depor, nas próxima semanas, em Brasília.

Ainda segundo o presidente da CPI, por conta do volume de denúncias recebidas, o relatório final da Comissão não será entregue em maio, como estava previsto. “Na verdade vamos ter que investigar muito. Isso aqui que vimos aqui é apenas a ponta do iceberg. É preciso investigar mais, pois o esquema é muito grande”, finalizou.

Fonte: UOL