Conhecida popularmente como Igreja Mórmon, a instituição religiosa mantém um arquivo com quase 5 bilhões de documentos históricos com informações sobre famílias de todas as partes do globo.

Toda vez que visita algum familiar distante, Luiz Polito, 51 anos, costuma carregar consigo uma pasta repleta de documentos antigos, cartas amareladas e fotografias em preto e branco. Para muitos isso pode parecer excentricidade, mas na verdade não é: o arquivo em questão contém informações sobre a maior parte dos membros da família Polito que viveram entre o início do século 19 e a época atual. Em outras palavras, é a árvore genealógica de Luiz.

Faz tempo que ele vem tentando reconstruir a história de sua família – desde 1978, para ser mais preciso. “Comecei de uma maneira bem rudimentar, anotando os nomes de meus antepassados mais próximos (no caso, os avós paternos) em um caderno de brochura”, conta. Depois disso, ele passou a visitar cartórios de Bauru e região para recolher informações sobre bisavós, trisavós e familiares distantes, numa empreitada para lá de árdua.

Caso persistisse nesse método artesanal de investigação, Luiz provavelmente não conseguiria chegar aos seus antepassados mais distantes (a maior parte nascida na Itália). Se chegou, foi graças à ajuda providencial da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (SUD).

Conhecida popularmente como Igreja Mórmon, a instituição religiosa mantém um arquivo com quase 5 bilhões de documentos históricos com informações sobre famílias de todas as partes do globo.

Desde 1894, os mórmons vêm recolhendo informações em cartórios, igrejas católicas e protestantes e arquivos públicos. Todo esse material é microfilmado e colocado à disposição do público em geral.

Estima-se que hoje a Igreja possua mais de 280 milhões de cópias de documentos referentes a famílias brasileiras. Todo esse arquivo permanece guardado à “sete chaves” em um cofre à prova de armas nucleares instalado numa caverna climatizada da Montanha de Granito, no Estado norte-americano de Utah.

A SUD mantém 4.500 centros de história da família (CHFs) em diversos lugares do mundo, inclusive no Brasil. Nesses locais, qualquer pessoa (fiel ou não) tem condições de consultar os documentos históricos.

Bauru conta com um CHF desde o início dos anos 90. O centro – que é composto, basicamente, por algumas máquinas leitoras de microfilme, além de dois computadores – está instalado em uma pequena sala na capela da rua Aparecida, no Jardim Santana (próximo ao terminal rodoviário).

Apesar de se tratar de uma estrutura bastante simples, o CHF permitiu que Luiz Polito pudesse agilizar seu trabalho de busca. “Antes eu tinha de vasculhar cartórios e paróquias católicas para obter informações”, afirma.

O interesse dos mórmons pelos ancestrais não é gratuito. Os membros da SUD acreditam que quando montam sua árvore genealógica, estão ajudando a aproximar os familiares do passado aos do presente.

“Se esse laços são mantidos, a família terá condições de permanecer unida na ‘morada eterna’”, explica o empresário João Xavier, membro do sumo conselho para assuntos públicos da SUD em Bauru.

Baseados nesse preceito, os mórmons fazem questão de conhecer a própria genealogia. Luiz, por exemplo, começou a se interessar pela história de seus antepassados depois que passou a fazer parte da SUD.

Isso não quer dizer, porém, que todos os freqüentadores do CHF de Bauru sejam mórmons, muito pelo contrário. “Pelo menos 70% de nossos usuários não têm qualquer tipo de ligação com a Igreja”, garante Luiz.

Serviço

O Centro de História da Família (CHF) da Igreja Mórmon de Bauru está situado na rua Aparecida, 8-35, Jardim Santana. O local funciona o dia todo, das 8h às 18h.

Microfilme

Para ter acesso ao material do banco de dados Mórmon, as pessoas têm de pagar uma taxa simbólica de R$ 3,00 por microfilme utilizado. “É um preço tão baixo que não cobre nem o valor da postagem desse material de São Paulo para cá”, diz João Xavier.

Apesar de terem facilitado a vida dos pesquisadores, máquinas leitoras de microfilme e computadores não eliminaram a parte braçal do trabalho do processo de montagem da árvore genealógica. Izídio Agostinho Filho, por exemplo, tem de passar horas espremendo os olhos na tentativa de compreender a complicada grafia dos documentos antigos.

Já Luiz Politocostuma complementar os dados obtidos no CHF por meio de pesquisas em arquivos históricos e de entrevistas com familiares. “Sempre que posso, levo este material (a pasta citada no começo da matéria) até parentes distantes e peço para que eles colaborem com a minha pesquisa”, diz.

Fonte: Jornal da Cidade de Bauru