Recente pesquisa do Centro Pew de Religião e Política mostra que muitos mórmons se sentem discriminados, embora achem que a aceitação tenha melhorado nos últimos anos.

Mitt Romney evita falar de religião. Não que ele, como quase todo político americano, não evoque Deus em discursos ou esconda sua fé. Mas sua experiência como mórmon –religião de 2% da população dos EUA– nunca chega ao palanque.

Tamanho é seu esforço para fazer do mormonismo um não assunto que nem os anos como missionário, algo que todo mórmon é chamado a cumprir na transição para a vida adulta e motivo de orgulho para a maioria, estão na biografia de campanha.

O silêncio tem motivos. Uma pesquisa apresentada neste mês pelo Centro Pew de Religião e Política mostra que muitos mórmons se sentem discriminados, embora achem que a aceitação tenha melhorado nos últimos anos.

Um político proeminente, uma peça na Broadway e uma série de TV ajudaram a atrair atenção, embora às vezes de forma caricata. Mas 62% dos mórmons dizem que o público não conhece sua religião.

“É que Romney não fez nada estranho nesta campanha, se não muita gente atribuiria isso ao fato de ele ser mórmon”, diz Oran Smith, diretor do Conselho dos Valores Familiares de Palmetto.

Para Gina Smith, do “The State” –principal jornal na Carolina do Sul–, o eleitorado está mais confortável com o tema porque Romney só o aborda de forma genérica.

Hoje com sede em Salt Lake City, Utah (Estado com 58% de mórmons), e presidida por Thomas S. Monson, a Igreja foi fundada no interior do Estado de Nova York em 1830 por Joseph Smith Jr. (1805-44), a quem a religião tem como profeta máximo.

Dez anos antes, aos 14, Smith rezou pedindo que Deus o ajudasse a escolher sua religião. Os mórmons contam que, após as preces, Deus e Jesus Cristo apareceram para Smith e pediram que ele restaurasse a Igreja cristã original –daí o nome oficial, Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Sete anos depois, Smith teria recebido de Deus um livro de ouro e vertido para o inglês no “Livro de Mórmon” –base da religião ao lado da “Bíblia”. Outro pilar são os Artigos de Fé, 13 princípios escritos pelo profeta em 1842.

Mais do que mandamentos, são preceitos e explicações da religião. Incluem reencarnação, obediência a Deus, batismo, pecado e expiação pelo arrependimento. Afirmam que Cristo retornará à Terra para reinar sobre uma Nova Jerusalém, na América.

A maior polêmica está no casamento: os mórmons já adotaram a poligamia, mas a proibiram quando a lei a vetou. Vez ou outra, são descobertas dissidências polígamas renegadas pela Igreja.

Outra controvérsia são as inferências depreciativas sobre negros nas primeiras 14 décadas da religião (em um episódio no “Livro de Mórmon”, pele escura é castigo).

Hoje, a religião rejeita a pecha de racista e aceita as etnias. No site mormon.org, há campanha para mostrar diversidade entre os fiéis.

[b]Fonte: Folha.com[/b]