A cantora Cida (Rah), conhecida por Lua, a esposa de Paulinho, de codinome Alma, faleceu no sábado, 28 de março, no Hospital da Unimed de São João da Boa Vista.

No último dia 11 de março, Paulinho (esposo) informou quanto ao diagnóstico localizado no pulmão de Rah e a sua internação. Em seguida, no dia 23, Paulinho deu mais uma parcial do seu quadro, que era grave, e pediu orações:

“Estamos lutando certos de que, vencendo ou não esta estranha tempestade, somos mais do que vencedores em Cristo Jesus! Manterei a todos informados sempre que possível. Orem por nós!”. 

[img align=right width=300]http://www.parabrisa.com.br/fotos/noticias/n__9690f62588cd6b4666ca4eba1e84edb2.jpg[/img]Ontem pela manhã, Paulinho (Alma) se pronunciou através da rede social: “A Rah nos deixou nesta manhã. Partiu em paz, somos gratos a Deus por Seus cuidados”.

Uma das últimas apresentações da dupla foi no programa “Meia Hora” apresentado semanalmente, via internet, pelo cantor João Alexandre. Confira a íntegra do programa abaixo:

A história da dupla Alma e Lua:

Por Paulinho Alma.

Nossa história começa muito antes de nos conhecermos; decidi que seria artista aos três anos de idade, no dia em que minha mãe teve a feliz ideia de me colocar em frente à tevê para assistir ao programa Jovem Guarda. Quando vi Roberto Carlos pela primeira vez, pirei! Só quem presenciou esse movimento – a Jovem Guarda – consegue entender sobre o que estou falando; e aos mais novos, digo: muito do que vivemos hoje é fruto desse movimento; mas falaremos sobre isso em outra oportunidade.
Assim, como se pode perceber, o projeto de carreira artística era meu; a Rah nunca teve essa pretensão, embora tivesse talento e motivação para tanto: seu pai era amante de música sertaneja e fazia parte de um trio que se apresentava pela região de Casa Branca – cidade onde nascemos; a garotinha vivia cantarolando canções conhecidas da época…
Em meados dos anos setenta fui morar perto de sua casa, então começamos a interagir: participávamos de festivais pela região, promovíamos apresentações… Rah integrava minha banda, e todos nós seguíamos sonhando com o lançamento do meu primeiro disco, que daria suporte para que cada um do grupo realizasse seus anseios profissionais e artísticos.
[img align=left width=300]http://www.parabrisa.com.br/fotos/noticias/n__e56d159e0952e5335f2011133a53a4e4.jpg[/img]Em 1983 passei mais tempo em São Paulo e, amparado por minhas primas Leonor e Rose, e pelos tios Libânio e Olinda (saudades…), conheci pessoas do meio artístico – Moacir Machado (descobridor de Simone, Zezé Di Camargo, Leandro e Leonardo, Rosa Maria…), o maestro Julio Megaglia, e também alguns executivos de gravadoras e empresários artísticos. Enquanto analisava algumas propostas para o lançamento da minha carreira solo, compreendi que havia algo de muito especial quando eu e a Rah cantávamos juntos, e se assim fosse, poderíamos tornar nossa união ainda mais sólida. Não tive dúvidas: convidei-a para um projeto de carreira em dupla; a moça hesitou, mas acabou aceitando o convite.
Já não éramos mais somente amigos – havíamos iniciado o namoro em 1978 e, vez ou outra, ensaiávamos parcerias em dueto sem grandes pretensões… mas agora era pra valer!
Em janeiro de 1984 vencemos o 1º Festival de Música Sertaneja de Casa Branca, e assim nasceu a dupla Alma & Lua. O nome foi criado a partir de palavras que faziam parte da letra de uma das canções que interpretamos nesse festival.
Iniciou-se, então, o processo de inserção no meio artístico com o apoio de Geraldo Meirelles (descobridor da dupla Chitãozinho e Xororó), mas foi Moacir Machado quem nos apresentou a Mickael – um importante produtor musical da época. Mickael despertou nosso interesse por ser ousado e inovador, e em 1989, sob seus cuidados, lançamos nosso primeiro álbum pelo selo Brasil Rural, cujo carro chefe era a canção “Reflexões em Minha Vida” (versão de Joel Marques para o flashback Reflections of my life do grupo Marmelade) e emplacamos algumas faixas nas paradas de sucesso das principais emissoras de rádio do país. Casamo-nos em novembro daquele ano.
Em 1991 gravamos o segundo álbum, mas nos desinteressamos pela carreira devido ao rumo exageradamente comercial que as coisas estavam tomando; decidimos seguir por caminhos menos glamorosos e cantar canções mais relevantes. Como havíamos nos convertido ao cristianismo nesse mesmo ano, também notávamos um “estranho mover” que nos impelia a um posicionamento artístico-cristão. Nossa primeira atitude foi incluir cânticos espirituais em nosso repertório, que mesclávamos com nossas canções e com stands; porém, em dezembro de 1995 fomos “tomados pela ideia” de substituir nosso projeto de carreira pelo ministério.
Em janeiro de 1996, com o apoio do pastor da Igreja Presbiteriana de Casa Branca, Sérgio Paulo, e apadrinhados fonograficamente por Celsino Gama, diretor de LPC Comunicações, a “ideia”foi posta em prática.
Nossa influência musical é quase que totalmente dos anos 60 e 70 – Revival, Betlemania, Jovem Guarda, além da música caipira; acreditamos que cada detalhe de nossas vidas foi planejado por Deus – nossas influências, nossas personalidades e nossas experiências; nossos fracassos, nossos êxitos e desistências, pois foi através deste ministério que nossos anseios artísticos foram alcançados, nossos egos foram abalados e o nosso canto, restaurado. Somos gratos a Deus por ter nos incluído em seu Plano que é Perfeito.
Texto revisado por Francisco Bueno

[b]Fonte: Parabrisa[/b]