Em 18 de abril de 2007, dois cristãos turcos, Necati Aydin e Ugur Yuksel, e um alemão foram brutalmente torturados e mortos em uma editora em Malatya.

Emre Gunaydin, líder do bando suspeito, juntamente com Salih Gürler, Cuma Ozdemir, Hamit Ceker e Abuzer Yildirim, que presos há 18 meses, são acusados do assassinato. Todos tinham entre 19 e 21 anos de idade na época do crime.

Os juízes e os promotores de defesa do tribunal de Malatya também estão ajustando seus procedimentos legais de caso de assassinato para uma investigação de conspiração política. Ao observar que outros poderiam estar envolvidos no crime, o juiz que preside o caso, Eray Gurktekin, citou um artigo do código penal turco que estabelece que uma pena pode ser reduzida se for descoberto que a parte culpada cometeu o crime a pedido de alguém.“Vocês devem considerar isto”, disse ele aos advogados de defesa.

O advogado de Emre Gunaydin disse que lembrou seu cliente deste artigo e que eles pretendem seguir esta direção legal na próxima audiência.

Os promotores de acusação tiveram uma pequena vitória legal que não alcançaram nas audiências passadas. Agora, elas serão gravadas. Nos meses anteriores, os juízes de Malatya negaram três pedidos da acusação para gravar as audiências do tribunal.

Em fevereiro de 2008, um tribunal de Istambul autorizou a primeira gravação de audiência em um tribunal, no julgamento do caso Hrant Dink, um jornalista turco-armênio assassinado em 2007.

Trama Revelada
No início do mês, a polícia turca descobriu um grande esconderijo de armas ao escavar locais ligados aos membros do Ergenekon. As forças de segurança acreditam que as armas indicavam os planos futuros do grupo e suas atitudes violentas no passado.

Há duas semanas, uma nova onda de prisões revelou provas de que o grupo planejava assassinar o primeiro-ministro, membros da Suprema Corte de Apelações e líderes da comunidade armênia.

Documentos antigos do Ergenekon fazem menção aos membros da igreja na Turquia em Esmirna, Mersin e Trebizonda. Membros dessas igrejas foram agredidos ou mortos nos anos subsequentes. Neste mês, um muçulmano de 19 anos em Esmirna foi preso por esfaquear um padre católico em 2007.

A organização Ergenekon também foi culpada pelo assassinato de outros cristãos muito conhecidos. Ergin Cinmen, advogado da família de Hrant Dink, solicitou uma investigação das ligações entre Ergenekon, o massacre de Malatya e os assassinatos de Hrant e de Adrea Santoro, um padre italiano morto em Trebizonda em 2006.

Ele fez estes comentários no contexto dos planos recém-descobertos, para atacar a comunidade armênia de Sivas, região central da Turquia, de acordo com Bianet, um serviço turco de notícias online.

No ano passado, a polícia prendeu mais de cem pessoas no caso Ergenekon, que tem sido o assunto predominante na imprensa turca há vários meses.

Fonte: Portas Abertas