O Ministério Público instaurou uma ação cautelar para apurar a demolição irregular de parte do prédio da antiga Algodoeira Matarazzo, na região central, que foi tombado como patrimônio histórico de Ribeirão Preto em 2007 e pertence à Igreja Internacional da Graça de Deus.

O processo deve dar início a uma ação civil pública contra os proprietários.

A igreja diz que apenas o frontão e as treliças do imóvel deveriam ser preservados e garante que a demolição foi autorizada por um alvará emitido pelo Conppac (Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural de Ribeirão Preto).

A ação cautelar foi movida pelo promotor Naul Felca, que visitou a construção no último dia 16. “Existe um TAC [Termo de Ajustamento de Conduta], firmado entre a igreja e o Ministério Público, que determina a preservação do local. O que vimos durante a nossa visita nos assombrou. O prédio está abandonado, cheio de animais peçonhentos e com possíveis focos de dengue”, afirmou.

“Constatamos a demolição irregular de 75% do patrimônio e esse material sabe-se lá para onde foi. A lei prevê punição de 1 a 3 anos se for comprovado o crime patrimonial. E o crime está constatado”, disse o arquiteto e conselheiro do Conppac Cláudio Henrique Bauso.

Outro lado

O pastor Willian Sodré, representante da Igreja Internacional da Graça de Deus, afirma que a demolição de partes do galpão não é ilegal e que estava prevista no acordo firmado com o Conpacc.

“Tudo foi feito com autorização do Conppac. Pelo que sei, temos um alvará que libera a demolição. Apenas o frontão e algumas treliças deveriam ser preservados”, afirmou.

De acordo com Cláudio Henrique Bauso, o Conppac não autorizou a demolição e, caso exista a documentação, não foi deliberada pelo conselho de patrimônio.

Fonte: Jornal A Cidade