O Ministério Público de Mato Grosso do Sul denunciou o padre italiano Siro Acquistapace, 63 anos, que está foragido do Brasil depois que foi acusado de exploração sexual, fornecimento de bebidas alcoólicas a menores.

O MPE (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) denunciou ao juiz Aldo Ferreira da Silva Junior, da 1ª Vara da Infância e da Juventude de Aquidauana, o padre italiano Siro Acquistapace, 63 anos, que está foragido do Brasil depois que foi acusado de exploração sexual, fornecimento de bebidas alcoólicas a menores e também entregar direção de veículos a menores em Dois Irmãos do Buriti. Conforme a denúncia, oito adolescentes teriam sido vítimas do pároco que está na Itália e, segundo a Interpol, não pode ser extraditado mesmo que seja condenado pela Justiça brasileira.

Siro Acquistapace, que era responsável há nove anos pela paróquia de Dois Irmãos do Buriti, começou a ser investigado pela Polícia Civil da cidade quando um adolescente denunciou que os amigos dele, que eram coroinhas da paróquia, contaram que mantinham relações sexuais com o padre. A prisão preventiva dele foi decretada no dia 16 de abril deste ano, mesma data em que ele fugiu do município, depois que, na casa paroquial, os policiais encontraram latas de cerveja, Cytotec (remédio de uso abortivo) e fotografias dos coroinhas, que recebiam presentes para manterem relação com o padre.

O padre teria chegado a Roma, na Itália, no dia seguinte à fuga do Estado e, de lá, informou que está sendo vítima de perseguição, pois estava cobrando atitude da Polícia Civil perante aos furtos na casa paroquial.

O religioso declarou também que o único crime que cometeu foi de dar a direção de veículo para menores. No entanto, o delegado Carlos Henrique Serafim, responsável pelo caso, disse ao Midiamax que não tem conhecimento de que a casa paroquial tenha sido arrombada e que por diversas vezes o padre foi na casa dele, “em alguns casos até para pedir dinheiro”. O advogado Jorge Antonio Siufi, que representa Siro Acquistapace, já entregou com pedido de revogação da prisão preventiva, entretanto, a solicitação ainda não foi avaliada pelo juiz.

“A Itália não extradita ninguém. A Justiça de Mato Grosso do Sul pode até iniciar um processo de extradição, mas tem que ter isso em mente”, disse o delegado chefe da Divisão de Cooperação e Operações Internacionais da Interpol, Glorivan Bernades de Oliveira.

Para que o padre possa “pagar” pelos crimes, caso seja condenado, é necessário que a Justiça de Mato Grosso do Sul interceda junto à Secretaria Nacional de Justiça que pode entrar em contato com o governo italiano para que ele cumpra a pena na Itália. “Mas isso depende dos tratados entre os dois países”, explica o representante da Interpol no Brasil.

De acordo com o delegado, no dia 27 de abril a Polícia Federal de Mato Grosso do Sul divulgou uma mensagem de “difusão nacional” contra o padre, ou seja, o que foi enviado à Interpol é uma solicitação para que o padre fosse preso no Brasil, o que não é competência do órgão. “Nosso trabalho é internacional. No mandado de prisão que nos enviaram não há solicitação de difusão vermelha (prisão em outros países)”, explicou.

Na prática, conforme Oliveira, isso significa que mesmo que o padre estivesse em algum País que extraditasse seus cidadãos, a Argentina, por exemplo, Acquistapace não poderia ser preso porque não há mandado de prisão internacional feito pela Justiça do Estado.

Fonte: Dourados News