A tortura e o assédio que um pastor do distrito de Meherpur,em Bangladesh, tem enfrentado por mais de um ano assomaram novamente no mês passado. Uma multidão de 4 mil muçulmanos, que comemoravam uma festa islâmica, acusaram-no de “iludir” muçulmanos.

Jhontu Biswas, 31 anos, disse que os moradores da cidade de Fubaria, 270 quilômetros a oeste de Daca, acusaram-no de iludir muçulmanos por meio de distribuição de livretos cristãos. Ele foi confrontado no dia 9 de dezembro, quando islâmicos se reuniram para a festa de sacrifício islâmica Eid al-Adha.

“Eles também me acusaram de converter os pobres, oferecendo-lhes dinheiro”, disse Jhontu. “Eles convocaram diversos jornalistas para publicar notícias contra mim e minhas atividades. Eles me fotografaram e me entrevistaram, mas não publicaram nada em seus jornais.”

Jhontu negou as acusações e os muçulmanos ameaçaram prejudicar ele e os demais que se convertessem ao cristianismo, principalmente no caso de um governo islâmico radical assumir o poder após as eleições de 29 de dezembro, disse ele.

“Eles disseram: ‘Você terá grandes problemas nesse tempo’”, disse Jhontu.

Felizmente para ele, a Grande Aliança, conduzida pela liga esquerdista Awami, obteve uma vitória esmagadora nas eleições, e ela não inclui nenhum partido fundamentalista islâmico, como o Jamaat-e-Islami.

Antes das eleições nacionais de Bangladesh, em 29 de dezembro, durante dois anos, o país foi dirigido por um governo provisório apoiado pelo exército, que impôs estado de emergência em todo o território nacional.

Caso o anterior governo de coalizão do Partido Nacionalista de Bangladesh, incluindo o Jamaat-e-Islami, assumisse o poder, os cristãos estariam em um perigo ainda maior.

“Esperamos poder exercer nossas atividades religiosas normalmente durante o período deste governo, e também esperamos que ele nos garanta todos nossos direitos constitucionais no que se refere às atividades religiosas”, disse Jhontu.

Agredido na mesquita

O pastor disse que tem estado sob pressão contínua para desistir de sua fé e não difundir o cristianismo desde que foi batizado em 14 de fevereiro de 2007.

Ele contou que estava em uma reunião com membros de sua igreja, em 31 de dezembro de 2007, quando a polícia, de repente, cercou o prédio e levou-o para fora.

Uma mulher de 36 anos, traficante de drogas, chamada Fulwara Begum, deixara uma bolsa cheia de drogas atrás de sua igreja, de acordo com um plano tramado por muçulmanos. Eles informaram à polícia, que prendeu Jhontu por posse e venda de drogas.

Mas, em vez de o levarem à delegacia, eles o levaram para uma mesquita próxima.

“Foi uma armação para me prender e difamar minha reputação, a fim de que não pudesse realizar atividades evangélicas aqui”, disse Jhontu. “Eles me disseram: “Se você aceitar o islã e pedir perdão a Alá, não faremos nada e o liberaremos.” Eles me bateram com varas na mesquita, após minha veemente recusa à sua proposta.”

A polícia chamou um clérigo muçulmano para encorajar Jhontu pedir perdão por ter abraçado o cristianismo.

No dia seguinte, 1º de janeiro de 2008, a polícia enviou-o para a prisão central de Meherpur sob acusações de envolvimento com drogas, mas o carcereiro não o admitiu devido aos ferimentos que apresentava.

A polícia levou-o para um hospital próximo, onde ele recebeu tratamento por cinco ou seis horas, sendo colocado na prisão em seguida.

“Sempre que não concordava com ela, a polícia me agredia de forma desumana na delegacia”, disse ele. “Durante quase toda a noite, tentaram fazer uma lavagem cerebral para que eu aceitasse o islã. Eu não concordei com eles. Então, me torturaram.”

Após 20 dias na prisão, Jhontu foi liberado sob fiança.

Agressão a idoso

Em 16 de agosto, extremistas muçulmanos destruíram uma mercearia próxima à igreja de Jhontu. O proprietário de 78 anos, Abdus Sobhan, disse à agência de notícias Compass Direct que ele fora agredido e sua mercearia, saqueada. Arremessaram pedras e tijolos na igreja.

“Foram meus vizinhos muçulmanos que fizeram isso”, disse Abdus. “Cerca de sete ou oito pessoas vieram naquela noite e destruíram a mercearia. Sou pobre. Aquela mercearia era minha única fonte de sustento. Eles a demoliram e saquearam coisas no valor de 30 mil takas (US$ 443).”

Os muçulmanos colocaram um cartaz próximo à mercearia, designando-a como sendo de um cristão e declarando: “Não compre nada aqui”.

Abdus foi à polícia para registrar o caso. Em vez disso, os policiais lhe fizeram um monte de perguntas sobre o porquê ele se tornara um cristão. Resignado, ele saiu da delegacia.

Pai de nove filhas e dois filhos, Abdus disse que se tornara um cristão em 24 de fevereiro de 2007 juntamente com sua esposa.

O presidente da igreja da Assembléia de Deus na divisão ao sul de Khulna, Jonathan Litu Munshi, disse a Compass Direct que Jhontu foi o primeiro convertido dessa área. Através dele, de 200 a 230 pessoas receberam Cristo como seu salvador na área predominantemente muçulmana nos últimos 18 meses.

“Algumas pessoas registraram uma falsa acusação contra ele para torturá-lo, de forma que não prosseguisse com suas atividades religiosas”, disse Jonathan. “Infelizmente, um convertido septuagenário também foi surrado naquela área por sua fé em Cristo.”

O partido político islâmico Jamaat-e-Islami está influenciando os moradores, disseram os cristãos, acrescentando que funcionários do partido têm persuadido muçulmanos a não empregarem convertidos cristãos que são, em sua maioria, diaristas que ganham a vida com dificuldade.

Fonte: Portas Abertas