Milhões de muçulmanos de todo o mundo começaram nesta terça-feira a celebração do Eid el Fitr, festa que encerra o mês sagrado do Ramadã.

O hilal, ou feixe de lua que confirma o fim dos 28 dias de abstinência diurna, apareceu na noite passada na Indonésia, país com o maior número de muçulmanos do mundo e o primeiro a iniciar uma celebração dedicada principalmente a visitar parentes e vizinhos.

Também na Arábia Saudita, no Kuwait, nos Emirados Árabes Unidos, no Catar, no Barein, na Jordânia, na Síria, no Iêmen, na Líbia e nos territórios palestinos –todos de maioria sunita–, as autoridades religiosas anunciaram a aparição do astro no céu anteontem à noite.

Em outros países de maioria muçulmana como Egito, Afeganistão e Marrocos, os fiéis ainda não sabem se deverão agüentar por mais um ou dois dias os rigores do mês de jejum e expiação.

Apesar da precisão da astronomia, que conhece com exatidão os ciclos da lua, o método que marca o fim da abstinência não é regido pela geografia, mas por uma série de parâmetros, em alguns casos políticos e em outros doutrinários, que dependem dos grandes clérigos.

No Oriente Médio e no golfo Pérsico, a maior parte dos países de credo sunita se amolda à decisão do grande mufti de Meca, na Arábia Saudita, país no qual há mais de 1.400 anos surgiu a religião revelada ao profeta Maomé.

Princípios básicos

No entanto, os fiéis do ramo xiita, minoritário, mas muito influente, costumam seguir os ensinamentos dos grandes aiatolás iranianos.

Apenas 30 anos após sua fundação, o islamismo se dividiu em duas correntes, diferenciadas em aspectos doutrinários, mas que compartilham os princípios básicos.

Um deles é o respeito ao jejum do mês do Ramadã, que ao lado da profissão de fé, da esmola, da oração e da peregrinação a Meca constituem os cinco pilares do islamismo.

No Irã, único país xiita, e no Iraque, onde o xiismo é majoritário, o primeiro dia de festa será amanhã e se estenderá até sábado.

Os muçulmanos de Malásia, Afeganistão, Omã, Índia e Paquistão –este último com uma das maiores comunidades xiitas do mundo– também esperarão até amanhã para encerrar o mês durante o qual, segundo a tradição, o Corão foi revelado a Maomé na chamada Noite do Destino.

Na África e na Europa, a maior parte das comunidades muçulmanas sairá amanhã às ruas para celebrar uma festa na qual é tradicional distribuir ajuda aos pobres e entregar presentes, especialmente às crianças.

No Cairo, em Rabat e em Argel, capitais do Egito, Marrocos e Argélia respectivamente, milhares de templos e locais públicos foram preparados para receber milhões de fiéis que passarão a madrugada fazendo a oração do Eid, com a qual iniciarão os festejos.

Após o Ramadã, milhões de muçulmanos se prepararão ao longo das próximas semanas para o mês da peregrinação a Meca, viagem obrigatória para todo muçulmano, se a saúde ou a situação financeira permitir.

Fonte: Folha Online