Um ano depois de um jornal dinamarquês ter publicado caricaturas do profeta Maomé, provocando protestos violentos no mundo inteiro, os dinamarqueses passaram a ter uma opinião mais negativa sobre o islã, embora os muçulmanos afirmem que os dinamarqueses tenham ficado mais amistosos em relação a eles.

Uma pesquisa Catinet mostrou que quase um quarto dos dinamarqueses tem um sentimento mais negativo em relação aos muçulmanos hoje se comparado a antes da polêmica das caricaturas, e menos de 3 por cento disseram que sua opinião ficou mais positiva. Quase 47 por cento se disseram favoráveis à publicação das charges, e 38 por cento afirmaram que ela foi um erro.

Numa nota de tom conciliador, os líderes da comunidade muçulmana na Dinamarca disseram que há hoje uma cordialidade e um interesse inéditos para com a cultura muçulmana por parte dos dinamarqueses.

A conclusão da pesquisa e as declarações dos líderes muçulmanos indicam uma inversão na situação de um ano atrás, quando os dinamarqueses se consideravam tolerantes e receptivos aos imigrantes, enquanto os muçulmanos frequentemente se sentiam desrespeitados.

As caricaturas, entre elas uma que mostrava o profeta Maomé com uma bomba no turbante, foram publicadas pelo jornal Jyllands-Posten, um ano atrás, e reproduzidas por outros órgãos da imprensa mundial em reportagens posteriores sobre a polêmica. Os muçulmanos consideraram as imagens uma blasfêmia, realizando protestos que provocaram a morte de mais de 50 pessoas na Ásia, na África e no Oriente Médio.

A maioria dos muçulmanos considera uma ofensa qualquer tipo de retrato do profeta.

“A maioria dos dinamarqueses começou a se dar conta de que os muçulmanos são seres humanos como todos os outros”, disse Ahmed Abu-Laban, o imã que ajudou a organizar uma viagem ao Egito e ao Líbano no ano passado para angariar mais apoio aos protestos.

“Muita gente em nossa congregação nos diz que os funcionários civis estão lidando com os muçulmanos de maneira muito mais amistosa. Os muçulmanos têm seus valores, seus históricos, e os dinamarqueses querem aprender sobre eles.”

Segundo Laban, o evento anual da Sociedade Islâmica, dedicado a não-muçulmanos, teve um público três vezes maior este ano.

Para Naser Khader, parlamentar dinamarquês e líder de um grupo muçulmano moderado, a polêmica fez com que os dinamarqueses aprendessem bastante sobre os muçulmanos.

“Antes, eles achavam que os muçulmanos eram um grupo homogêneo”, disse ele. “Agora, quase todo mundo está dizendo que o problema são os islamitas que misturam política e religião.”

Mas, para Jakob Feldt, especialista em Oriente Médio na Universidade de Odense, a controvérsia mostrou que a Dinamarca ainda tem muito a fazer para ser uma cultura que respeita os imigrantes. Segundo ele, os dinamarqueses ficaram muito desconfiados dos imãs e acham que não se pode confiar nos líderes muçulmanos da Dinamarca.

“Eles acham que eles provocaram o conflito e foram desleais à Dinamarca ao fazer provocações contra a Dinamarca no Oriente Médio”, disse Feldt. “Esses líderes também perceberam as pesquisas e o sentimento público contra eles, e hoje dizem que a Dinamarca é um ótimo país para um muçulmano viver.”

Fonte: Reuters