Ideia é fazer com que a Igreja dê mais atenção aos direitos das mulheres e à violência de gênero.

As mulheres jornalistas do Vaticano se mobilizaram para que a Igreja defenda os direitos das mulheres vítimas de conflito, violência de gênero e tráfego, com a organização de um simpósio inédito.

Este simpósio, organizado apenas por mulheres, será realizado de sexta-feira até domingo na Villa Pia do Vaticano, que abriga a Academia de Ciências Sociais.

As artífices desta iniciativa fazem parte de um grupo de mulheres jornalistas responsáveis pelo suplemento mensal do jornal L’Osservatore Romano , “Donne, chiesa, mondo” (“Mulheres, Igreja, Mundo”), dedicado às mulheres na Igreja Católica, criado em 2012 sob o pontificado de Bento XVI.

“Começamos a ser visíveis”, comemorou a historiadora Lucetta Scaraffia, coordenadora do “Donne, chiesa, mondo” em uma coletiva de imprensa, ressaltando que as oradoras “não vão discutir apenas teoria, mas também a prática”.

Um grupo de especialistas católicas e não-católicas vão discutir, entre outros temas, as violações massivas de mulheres, em particular na República Democrática do Congo, sobre a violência de gênero no Ocidente e os maus-tratos sofridos pelas religiosas na África.

Elas irão abordar questões sensíveis como a identidade feminina e o novo papel da mulher, a filiação biológica, barriga de aluguel e adoção.

Desde o século XVIII, algumas mulheres católicas tomaram iniciativas na Igreja “sem pedir permissão”, fundando congregações, lembrou Scaraffia, que acredita que as mulheres da Igreja são chamadas hoje a seguir na mesma direção.

A Igreja organizou nos últimos meses várias reuniões sobre o papel das mulheres, mas esta é a primeira organizada pelas próprias mulheres.

“Existe atualmente uma grande efervescência sobre este assunto, que se impõe cada vez mais na agenda do Vaticano”, disse o diretor do Osservatore Romano, Giovanni Maria Vian. Ele ressaltou que o fato de o cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, encerrar o encontro no domingo com uma missa “mostra o interesse do Papa Francisco”.

As organizadoras afirmaram que o simpósio não tratará de reformas para dar mais poderes às mulheres na Igreja.

[b]Fonte: Terra[/b]