O arcebispo Giovanni Lajolo, governador da Cidade do Vaticano, na tentativa de remendar os recentes comentários do papa Bento 16 que atraíram a ira mundial dos muçulmanos, disse à Assembléia Geral da ONU, que reúne os 192 países da entidade, que o papa manifestou tristeza com a suposta má interpretação das citações que vinculavam o Islã à violência.

“Sua verdadeira intenção era explicar que ‘não a religião e a violência, e sim a religião e a razão andam juntas’, no contexto de uma visão crítica de uma sociedade que tenta excluir Deus da vida pública”, disse Lajolo.

O papa, de 79 anos, continua enfrentando críticas, apesar de já ter feito quatro tentativas de atenuar a polêmica, mas sem pedir desculpas explicitamente. A última foi na segunda-feira, quando Bento 16 falou a diplomatas de cerca de 20 países islâmicos, além de líderes da comunidade muçulmana italiana.

Em Nova York, chanceleres dos 56 países da Organização da Conferência Islâmica, que se reúnem durante a sessão da Assembléia Geral da ONU, pediram ao papa que “se retrate ou corrija” os comentários.

Em discurso no dia 12 em sua Alemanha natal, o papa citou o imperador bizantino Manuel 2o Palaeologus, do século 14, segundo quem tudo o que o profeta Maomé havia legado era ruim, “como sua ordem para difundir pela espada a fé que ele pregava”.

Em nota divulgada na terça-feira, os chanceleres islâmicos disseram que as palavras do papa podem provocar mais tensão entre o mundo muçulmano e o Vaticano.

Lajolo, que até 12 dias atrás era secretário de Relações Exteriores do Vaticano, disse que “cabe a todas as partes interessadas — a sociedade civil e também os Estados — promoverem a liberdade religiosa e uma sana tolerância social, que vai desarmar os extremistas mesmo antes que eles possam corromper os outros com seu ódio pela vida e a liberdade.”

O papa enfrenta as piores críticas internacionais do seu pontificado, iniciado em abril de 2005, e, apesar de elogios de alguns muçulmanos influentes, não se sabe se ele irá mesmo à Turquia em novembro, conforme estava previsto.

Nesta quarta-feira, o primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan voltou a criticar o pontífice, dizendo que nem um político poderia ter falado daquela forma, quando menos um líder religioso.

Fonte: Reuters