A violência sectária entre cristãos e muçulmanos na Nigéria central deixou mais de 300 mortos na semana passada, disse um comissário estadual de polícia nesta segunda-feira, prometendo levar os responsáveis pelas mortes à Justiça.

É a primeira vez que as autoridades informam sobre o número de mortos nos enfrentamentos. Algumas versões não oficiais elevam o número de vítimas a cerca de 500.

O comissário em exercício da polícia do Estado de Plateau, Ikechukwu Aduba, disse que os policiais prenderam 303 pessoas em conexão com os tumultos em Jos, uma cidade que foi centro mineiro e turístico, localizada entre o sul cristão e o norte muçulmano da Nigéria. Das pessoas detidas, 139 foram levadas para a capital da Nigéria, Abuja, para interrogatório.

Aduba disse que outros suspeitos permanecem à solta, incluindo os que participaram na matança que quase dizimou uma pequena aldeia na periferia sul de Jos. Na localidade, voluntários descobriam corpos em valas comuns e em esgotos. Outros estavam no mato, fora da aldeia, com marcas de ferimentos a bala e facão.

O chefe policial também prometeu que as pessoas detidas serão julgadas em Jos. Autoridades da cidade se queixaram de que os envolvidos em episódios anteriores de violência conseguiram liberdade sob fiança em Abuja e nunca enfrentou a Justiça.

Os analistas culpam pela incessante violência étnica, religiosa e sectária que afeta o país o fato de os responsáveis pelos problemas nunca serem levados à Justiça.

Já a oposição responsabiliza alguns políticos “sem escrúpulos” que estão por trás da contínua crise que deu “má fama à Nigéria”. Segundo ele, a reputação ruim se agravou com o atentado fracassado realizado por um nigeriano contra um avião, nos Estados Unidos.

Há relatos conflitantes sobre o que desencadeou o recente derramamento de sangue. De acordo com um comissário de polícia do Estado, os conflitos começaram depois que um grupo de jovens muçulmanos incendiou uma igreja cristã, o que foi negado por líderes muçulmanos. Os muçulmanos dizem que a violência começou com uma discussão sobre a reconstrução de uma casa de muçulmanos em um bairro predominantemente cristão. A residência teria sido destruída em novembro de 2008.

A violência sectária na região central da Nigéria deixou milhares de mortos na última década. O último surto ocorreu apesar dos esforços do governo nigeriano para reprimir o extremismo religioso no país.

Os conflitos se agravaram desde 1999, quando foi implantada a sharia (lei islâmica) em 12 Estados do norte do país.

Com quase 150 milhões de habitantes divididos em mais de 200 grupos tribais, a Nigéria é o país mais povoado da África. As diferenças por questões políticas, religiosas e territoriais desencadeiam, no geral, confrontos armados.

Fonte: Folha Online