“Eu estou no céu.” Kaká, 25, abriu assim sua declaração ao site da Fifa domingo após a conquista do Mundial e a poucas horas de ser eleito o melhor do mundo. Em campo, porém, ao mostrar camisa com a mensagem “Eu pertenço a Jesus” em meio à decisão, contraria um dos mandamentos da entidade máxima do futebol.

Não é permitido aos atletas exibir mensagens com teor comercial, político ou religioso nos jogos de futebol, em especial em competições da Fifa. Por enquanto, isso rendeu a Kaká só um cartão amarelo.

Mas, fora de campo, o brasileiro segue como bom samaritano. Doará o prêmio de melhor jogador na final entre Milan e Boca Juniors (cerca de R$ 31 mil) para entidade assistencial ligada ao Milan. Tradicionalmente, o melhor atleta dos Mundiais no Japão leva um carro da Toyota, cujo valor acaba dividido entre os jogadores.

“Estamos encantados pelo que ele faz em campo e por como ele se apresenta fora de campo. Por isso, não há nenhum motivo para ele renunciar ao Milan ou para o Milan renunciar a ele”, falou Silvio Berlusconi, presidente do Milan, sobre os rumores de que o brasileiro possa ser negociado.

Kaká, que deve virar o quinto brasileiro da história a ser eleito pela Fifa melhor jogador do mundo em um ano, diz ter realizado um sonho ao conquistar o Mundial no Japão.

“É um sonho que virou realidade vencer o Mundial pelo Milan. O Boca é um grande time, e o primeiro tempo foi muito difícil. Para nossa sorte, jogamos com todo nosso potencial depois do intervalo. Estamos felizes por ter dado aos nossos fãs uma grande performance e, claro, o troféu”, falou ele ao site do time rubro-negro de Milão.

Nesta segunda-feira, o craque terá ao seu lado na Suíça só um de seus concorrentes a melhor do mundo: o português Cristiano Ronaldo. O argentino Messi, por ter sofrido lesão muscular no jogo do Barcelona contra o Valencia, nem viajará para ver a coroação máxima de Kaká no futebol.

O ex-são-paulino já foi eleito o melhor do mundo neste ano pelos colegas de classe. Os jogadores o elegeram na eleição da FIFPro. Na votação da Fifa, quem participa são técnicos e capitães das seleções nacionais.

Em 2006, o italiano Cannavaro, zagueiro campeão mundial com a Itália, foi eleito o melhor do mundo. A premiação a Kaká devolve o trono da bola a um jogador ofensivo e a um atleta ainda de pouca idade. Um detalhe: os votos na Fifa foram dados antes da final de domingo. O que Kaká fez no Japão foi um luxo.

Fonte: Folha Online