Conflito entre cristãos e muçulmanos chega a uma situação extrema: pessoas foram feridas, casas e empresas, queimadas e a única igreja local, destruída. 120 famílias evangélicas foram expulsas da cidade

O rigor imposto pelos dias de dedicação ao Ramadã e o zelo religioso característico dos muçulmanos, principalmente nessa data, produzem uma mistura bastante perigosa aos cristãos que vivem subjugados pelo regime islâmico.

Em razão disso, na quarta-feira do dia 25 de julho, aconteceu uma disputa no povoado de Dahshur, nos arredores ao sul do Cairo: um lavadeiro cristão acidentalmente queimou a camisa de um cliente muçulmano. Após um acerto verbal, o cliente concordou em retornar naquela mesma noite a fim de prestar reclamação formal quanto ao incidente. Porém, ainda à tarde, chegou ao estabelecimento acompanhado por uma multidão vingativa.

Armados, os islâmicos se colocaram ao entorno da casa e lavanderia do cristão, o que fez com que este, temendo por sua segurança, lançasse uma bomba pelo telhado. A bomba atingiu um jovem muçulmano que estava passando por ali; ele foi encaminhado ao hospital, mas não resistiu e morreu no dia primeiro de agosto. Diante disso, líderes islâmicos, ao invés de procurarem acalmar as revoltas e promover a paz, incentivaram a violência e o acerto de contas através da punição.

O levante que se seguiu, resultou na soma de 16 cristãos feridos, inúmeras casas e empresas incendiadas e a única igreja da vila, destruída. Os malfeitores ainda ameaçaram atirar e matar todos os cristãos e, assim, convenceram 120 famílias de que sua única alternativa de sobrevivência era fugir e se estabelecer longe dali. Somente uma mulher idosa cristã permaneceu, pois recebeu refúgio na casa de um vizinho muçulmano.

Apesar de uma vasta gama de fontes independentes – local e internacional, religiosa e secular – estarem em consenso quanto aos acontecimentos, a Irmandade Muçulmana (MB) divulgou em nota uma versão diferente: nega que o massacre tenha sido radical, alegando que “o cristão [deliberadamente] lançou ácido e gasolina sobre o muçulmano” para matá-lo e, manipulando a realidade dos fatos, afirma que a MB interveio imediatamente para “conter a raiva do povo”.

Um dos pincipais líderes religiosos do Egito, Ali Goma, declarou ainda que “a partida dos cristãos de Dahshur não deve ser considerada um deslocamento”, porque estes deixaram suas casas voluntariamente! A Câmara Shoura (Parlamento do Conselho Consultivo) está formando uma comissão para ir à Dahshur “reconciliar os cidadãos”. Porém, o vice-presidente sênior do Conselho Nacional de Direitos Humanos, Mohammed Fayek, observou: “A razão para a tensão extremista no Egito é a impunidade. A forma como são tratados esses levantes radicais, permite que os criminosos sejam inocentados e contribui para a repetição de tais incidentes”. Até o momento, três cristãos foram presos, mas nenhum muçulmano ficou detido.

[b]Fonte: Missão Portas Abertas[/b]