O arcebispo sul-africano e Nobel da Paz Desmond Tutu, um dos ícones da luta antiapartheid, se retira da vida pública nesta quinta-feira, ao completar 79 anos.

Tutu havia anunciado em julho a decisão, para dedicar mais tempo à sua família.

Tutu comemorou a data em cerimônia privada na Cidade do Cabo, onde é arcebispo emérito.

“Chegou o momento de ir mais devagar”, afirmou em julho o arcebispo anglicano. “Quero assistir a partidas de cricket, rúgbi, futebol e tênis e viajar para ver meus filhos e meus netos, em vez de conferências e convenções em centros universitários.”

Tutu deixou, no entanto, a porta aberta para eventuais intervenções públicas. “[A partir de agora], não me chamem. Eu os chamarei”, disse então em julho a jornalistas, parafraseando o companheiro de longa data, líder da luta contra a segregação racial e ex-presidente na África do Sul, Nelson Mandela.

O arcebispo recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1984 pela luta contra o apartheid. Após a eleição de Mandela, em 1994, liderou a Comissão da Verdade e Reconciliação da África do Sul. No ano 2000, chegou a anunciar retirada parcial da vida pública devido a um câncer de próstata.

Apesar do anúncio, muitos sul-africanos duvidam que Tutu, “a consciência moral” do país, deixe de fato suas atividades.

Nascido em 1931, em Klerksdorp, nos arredores de Johannesburgo, Tutu estudou no King’s College e na Universidade de Londres, no Reino Unido. Foi ordenado bispo da Igreja Anglicana em 1960.

Quinze anos depois, foi designado o primeiro negro decano da catedral de Johannesburgo, tendo se instalado no Soweto, símbolo da resistência ao regime racista sul-africano e onde presenciou a discriminação, a repressão policial e os protestos violentamente reprimidos de 1976.

Nos últimos anos, tem assumido posições críticas ao governista Congresso Nacional Africano (CNA) e ao presidente Jacob Zuma, além de defender direitos homossexuais e programas de combate à Aids, epidêmica na África do Sul e outros países do continente.

O presidente dos EUA, Barack Obama, parabenizou Tutu pela data e o qualificou de “titã moral” cuja falta no debate público será sentida.

[b]Fonte: Folha Online[/b]