Rigor na seleção, na formação e no acompanhamento dos padres é uma das principais preocupações do cardeal Dom Claudio Hummes (foto), 72 anos, nomeado nesta terça-feira pelo papa Bento XVI para comandar a Congregação do Clero.

No Vaticano, para onde se muda ainda neste ano, ele vai executar os projetos e as diretrizes do papa para os cerca de 400 mil padres e diáconos que a Igreja tem no mundo.

O ex-arcebispo de São Paulo acredita que a Igreja já está superando a crise provocada pelos sucessivos escândalos de abusos sexuais envolvendo religiosos. “Eu penso que há uma progressiva melhora. Estamos saindo de uma crise muito forte”, reconheceu.

Baseado na sua experiência em São Paulo, onde promoveu uma reestruturação na formação de novos padres, ele defende o aprimoramento dessa preparação. “Os seminários devem ser mais exigentes na seleção e na formação dos padres para que não ocorram casos de pedofilia, de homossexualismo e outros tipos de abusos sexuais.”

Dom Claudio fez questão de ressaltar que será uma espécie de executivo e que não caberá a ele a elaboração de novas orientações para os padres. “Se o papa tiver outros projetos novos é ele quem vai encaminhar”, salientou.

Segundo ele, em sua nova função, vai receber todos os questionamentos relativos à relação dos padres com o mundo. “Os padres são fundamentais. Precisam muito da atenção e do acompanhamento da Igreja.”

Ele explicou que já existem regras que orientam as condutas dos religiosos e que desde o Concílio Vaticano II (reunião de todos os bispos do mundo realizada entre 1962 e 1965, quando a Igreja determinou uma abertura em relação aos seus ritos e sua relação com a sociedade), o processo de preparação dos novos padres tem sido mais rigoroso.

Para o novo prefeito para a Congregação do Clero, o fato de o papa ter escolhido um representante da América Latina mostra a importância que a Igreja dá para a região. Ele considera que a experiência da realidade brasileira será importante na nova função. “Sempre é importante que a Cúria seja internacionalizada, o que vem ocorrendo com os últimos papas. Antes ela era mais italiana.”

Experiência

Dom Claudio esteve à frente da Arquidiocese em São Paulo desde 1988. Além de reestruturar o seminário, ele voltou sua atenção para tornar a Igreja “mais missionária”.

Segundo o arcebispo, um dos motivos da redução de 10% no número de católicos durante a década de 90 no Brasil foi a deficiência da Igreja em evangelizar todos aqueles que batizou. “Além disso, ao pluralismo das cidades, onde os católicos que tinham uma fé tradicional se afastaram. Estes passaram mais facilmente para outras crenças.”

Dom Claudio permanece por algumas semanas na capital paulista com cargo de administrador apostólico, com o qual mantém todas as funções de arcebispo. Na quarta-feira (8), ele pretende conversar com representantes do Vaticano para determinar a data de sua mudança para Roma.

Ele prefere não falar sobre o seu provável substituto, mas acredita que a escolha será feita em pouco tempo. “A escolha do novo arcebispo é imprevisível. Todos os bispos e padres têm chance.”

Dom Claudio fez questão de dizer que se sentiu surpreso com o convite. “Não é fácil dizer sim, gosto de São Paulo, do povo e da Igreja na cidade, mas faço essa ruptura com alegria porque para mim é Deus quem chama.”

Fonte: EPTV