A Igreja Católica norueguesa recebeu anunciou ter recebido diversas denúncias de novos casos de abusos sexuais dentro da instituição desde a revelação de um primeiro escândalo de pedofilia na quarta-feira, declarou hoje Bernt Eidsvig, principal bispo norueguês, ao jornal “Verdens Gang”.

“Recebi por e-mail uma quantidade tão grande de informações sobre possíveis agressões e outros abusos sexuais que o computador ficou bloqueado”, declarou Bernt Eidsvig ao diário popular norueguês.

O bispo de Oslo e Trondheim, que na quarta-feira havia revelado a pedido do Vaticano que Georg Müller, um de seus ex-bispos, havia abusado de um coroinha no começo dos anos 90, deverá conceder ao meio-dia em Oslo uma entrevista coletiva à imprensa.

Segundo o Verdens Gang, que cita suas próprias fontes de investigação, outros nove casos de abusos sexuais na Igreja Católica foram apresentados nos últimos dias.

“Agora a Igreja Católica deve investigar para determinar se são assuntos que ainda não eram conhecidos”, indica o jornal.

A Igreja Católica norueguesa, que teve conhecimento de três casos de pedofilia além do caso Müller, está disposta a cooperar com a justiça do país escandinavo e pretende abrir seus “arquivos secretos”, onde há informações sensíveis sobre seus sacerdotes, segundo Eidsvig.

“Vou entrar em contato com a promotoria e dizer o que sei, e pedir conselhos. Se recomendarem uma investigação externa (fora da Igreja) estou aberto”, disse o bispo.

Perguntado sobre a divulgação dos arquivos confidenciais, respondeu: “veremos quando a promotoria se pronunciar”.

Confissão

O ex-bispo da Igreja Católica da Noruega Georg Müller admitiu ter abusado sexualmente de um menino há 20 anos, informou a igreja em comunicado. A revelação estende à Noruega o escândalo de pedofilia que já afeta vários países europeus, além dos Estados Unidos e, em menor escala, o Brasil.

Müller, 58 anos, nascido na Alemanha, deixou o cargo de bispo de Trondheim em junho de 2009, oficialmente por incompatibilidades de trabalho. a Igreja afirma agora que não revelou a causa real de seu afastamento a pedido da vítima, cuja identidade não foi revelada.

Segundo o jornal norueguês “Adresseavisen”, que revelou o caso, o abuso aconteceu há 20 anos, quando Müller era padre em Trondheim.

A vítima, um coroinha que agora tem por volta de 30 anos, obteve acordo com a igreja –que se comprometeu a pagar um salário anual de entre 400 mil e 500 mil coroas norueguesas como indenização, ainda segundo o jornal.

Depois de guardar segredo durante duas décadas, a vítima contou a um sacerdote que Müller havia abusado dele quando este era sacerdote em Trondheim e ele coroinha. A Igreja iniciou uma investigação e confirmou as denúncias do jovem.

“A Igreja Católica norueguesa está comovida em seus alicerces. Em primeiro lugar quero expressar minha compaixão com a vítima e a vergonha por parte da Igreja, destacando que Müller atuou contra todas as orientações e promessas que jurou”, assinalou em comunicado Bernt Eidsvig, arcebispo de Trondheim e Oslo.

Fonte: Folha Online