Apoiadores e oponentes da ordenação de clérigos gays mostraram-se descontentes com uma declaração dos bispos anglicanos dos Estados Unidos, feita para tentar manter a Igreja Episcopal dos EUA na comunhão internacional da fé.

Na declaração, firmada após dois dias de reuniões fechadas em New Orleans, bispos episcopais disseram que serão “contidos” e não autorizarão candidatos a bispo “cujo estilo de vida represente um desafio” à Igreja.

Eles também se comprometeram a não aprovar orações ou bênçãos para uniões do mesmo sexo.

Defensores de sacerdotes gays acusaram os líderes episcopais de ceder à ala conservadora liderada pelos arcebispos africanos, enquanto que tradicionalistas viram a escolha de palavras da nota como um gesto de desafio.

Na África, a reação dos líderes anglicanos sugere que ainda é preciso trabalhar para evitar um cisma na comunhão.

O porta-voz da Igreja Anglicana de Uganda, Aron Mwesigye, disse que os bispos dos Estados Unidos “merecem apreciação por tomar uma decisão tão boa. Também peço que os bispos gays arrependam-se e passem a viver vidas normais”.

Mas o reverendo Stephen Njihia Mwangi, segundo nome na hierarquia anglicana do Quênia, questionou o momento em que surge a declaração, poucos dias antes do prazo final de domingo dado pela liderança anglicana internacional para que a Igreja Episcopal dos EUA assumisse um compromisso firme na questão.

“Não acho que estejam levando o significado a sério”, disse. “Acho que o momento escolhido sugere que se trata apenas de uma tecnicalidade para garantir que a conferência de Lambeth aconteça”. Mwangi refere-se a uma reunião que ocorre uma vez a cada dez anos e reúne líderes anglicanos de todo o mundo.

Enquanto o líder espiritual da Comunhão Anglicana, o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, agradeceu os bispos americanos “pelo cuidado tomado para entender e responder às preocupações da comunhão”, outras vozes foram menos cautelosas. “Acreditamos que essa tentativa de agradar os homófobos não levará a nada”, disse o reverendo Martin Reynolds, do Movimentos Cristão de Gays e Lésbicas do Reino Unido.

A disputa vem ameaçando romper a Comunhão, uma federação de 38 igrejas nacionais, desde 2003, quando a Igreja Episcopal confirmou a eleição de Gene Robinson como bispo de New Hampshire. Robinson é gay e vive abertamente com um companheiro.

Fonte: Estadão