Nesta sexta-feira, em uma coletiva de imprensa após o anúncio da nomeação, Justin Welby repetiu seu apoio à ordenação de mulheres como bispo.

O bispo de Durham, Justin Welby, um ex-executivo da indústria do petróleo, foi nomeado nesta sexta-feira o novo arcebispo de Canterbury, primaz da Igreja da Inglaterra e líder espiritual da Comunhão Anglicana no mundo e já se pronunciou a favor da ordenação de mulheres, um tema que divide profundamente os anglicanos há anos.

Justin Welby, 56 anos, sucederá Rowan Williams, 62, que se aposenta no fim de dezembro após um mandato de 10 anos marcado pelas divisões a respeito da ordenação de bispas e o casamento gay.

Como manda a tradição, a nomeação foi anunciada pelo gabinete do primeiro-ministro britânico e aprovada pela rainha Elizabeth II, que, como chefe de Estado, também é Governadora Suprema da Igreja da Inglaterra.

A Igreja da Inglaterra informou que Welby, que tem apenas um ano como bispo, assumirá a função em 21 de março de 2013 na Catedral de Canterbury (sudeste da Inglaterra).

Estudante nos prestigiosos Eton College e Universidade de Cambridge, onde se formou em Direito e História, Welby trabalhou durante 11 anos na indústria petroleira na França e na Inglaterra antes de receber o chamado de Deus.

Desde então, a carreira eclesiástica deste homem casado e que teve seis filhos, o primeiro deles morto aos sete meses em um acidente, tem sido meteórica. Depois de estudar Teologia em Durham (nordeste de Inglaterra), foi ordenado diácono em 1992.

Em 2007, Welby foi nomeado decano da catedral de Liverpool e em novembro de 2011 bispo de Durham, o quarto posto na hierarquia da Igreja da Inglaterra, na qual é considerado um conservador moderado, favorável à ordenação de mulheres como bispo, mas contrário, como a grande maioria do episcopado, ao matrimônio homossexual.

Nesta sexta-feira, em uma coletiva de imprensa após o anúncio da nomeação, Justin Welby repetiu seu apoio à ordenação de mulheres como bispo.

“Votarei a favor e unirei minha voz a muitos outros para pedir ao Sínodo que realize esta mudança”, afirmou aos jornalistas em Lambeth Palace, que será sua residência oficial quando assumir o cargo.

O Sínodo Geral da Igreja da Inglaterra, de 19 a 21 de novembro, deve abordar prioritariamente esta questão.

Caso seja aprovada a ordenação de mulheres bispos, que provocou a fuga de alguns bispos e sacerdotes da ala mais tradicionalista para a Igreja Católica, esta seria a maior mudança na Igreja da Inglaterra desde a aprovação da ordenação de mulheres sacerdotes em 1992.

O atual arcebispo Rowan Williams também é favorável à medida.

Justin Welby era considerado um candidato menos midiático que outros que disputavam o posto.

Este londrino, cuja mãe foi secretária pessoal de Winston Churchill e cujo pai comercializava álcool nos Estados Unidos na época da Lei Seca, trabalhou por 11 anos para empresas do setor de petróleo, cinco deles em Paris, onde morava com a esposa Caroline e a primogênita, Johanna, que faleceu tragicamente em um acidente de carro em 1983 aos sete meses de vida.

Ao retornar para Londres, foi diretor financeiro da Entreprise Oil, mas sua vida mudou radicalmente em 1987.

Um dia, quando estava em uma igreja, sentiu, segundo suas próprias palavras, “um chamado inevitável de Deus” e decidiu seguir o mesmo.

Sua trajetória faz dele uma autoridade no campo da ética empresarial. Inclusive, ele foi nomeado membro da comissão parlamentar que investiga o recente escândalo sobre a manipulação da taxa interbancária Libor.

O bispo, agora líder espiritual de 77 milhões de anglicanos em todo o mundo, não duvida em criticar os excessos do mundo capitalista e em manifestar apoio aos desfavorecidos.

Também está comprometido com o diálogo com a Igreja Católica e viaja regularmente à Nigéria, onde prega a reconciliação.

Para demonstrar sua capacidade de mediar conflitos, quando questionado sobre seu time de futebol, tem uma resposta na ponta da língua.

“Passei cinco anos trabalhando na resolução de conflitos e tentando sobreviver em meio a uma guerra civil, ou seja, não vou responder a esta pergunta”.

[b]Fonte: AFP[/b]