Os talebans adotaram um novo “código de conduta” militar, que prevê restrições aos ataques suicidas e tem por objetivo evitar o assassinato de civis. A informação é da equipe da CNN, que afirma ter obtido o documento no noroeste do Paquistão. Militares americanos e funcionários do governo afegão classificam o material como uma mera peça de propaganda.

“Os atentados suicidas devem ocorrer para alvos importantes e de grande valor, porque um valente filho do Islã não deveria ser usado para metas inúteis e de pouco valor”, diz o código de conduta. “Nos ataques suicidas, a morte de inocentes e os danos à sua propriedade devem ser minimizados”.

De acordo com a tenente comandante Christine Sidenstricker, porta-voz militar dos Estados Unidos em Cabul, as ações cotidianas do grupo contradizem o que está no documento. Ela afirmou à CNN que mais de 60% dos mortos civis foram assassinados pelos talebans e, desde janeiro, mais de 450 inocentes afegãos foram mortos e outros mil ficaram feridos.

O porta-voz do Ministério da Defesa do Afeganistão, general Zaher Azimi, disse que o código de conduta é uma peça de “propaganda” e que os talebans “nunca vão implementá-lo”. O general cita a recente decapitação de um soldado afegão aposentado como um exemplo claro do real comportamento do grupo. “É uma violação das leis de guerra”, completou.

A divulgação do material surge num momento crucial para o Afeganistão. Atualmente, tropas britânicas e americanas realizam uma vasta ofensiva contra os talebans na conturbada província de Helmand, reduto rebelde ao sul do país. O objetivo da operação é garantir a estabilidade nas eleições presidenciais, marcadas para 20 de agosto. Mas os talebans prometem resistir e, nesta quinta-feira (30), convocaram os eleitores para boicotar o pleito e promover uma “guerra santa” contra a ocupação estrangeira.

“Todos os afegãos devem boicotar este processo americano mentiroso. Para conseguir a independência real, ao invés de ir a falsos colégios eleitorais, os afegãos devem ir para as trincheiras da Jihad e, através da resistência, libertar seu país ocupado por invasores”, afirma o texto divulgado por correio eletrônico e assinado pelo “Emirado Islâmico do Afeganistão”.

Os talebans já haviam pedido anteriormente o boicote das eleições, mas este é seu comunicado mais enérgico antes de uma votação na qual o atual presidente, Hamid Karzai, aspira se reeleger. Autoridades eleitorais e partidários do governo alcançaram nesta semana um cessar-fogo prévio às eleições entre dirigentes talibãs locais e as autoridades locais afegãs, em um instável distrito da província de Badghis (noroeste).

O acordo foi anunciado pelo gabinete de Karzai, favorito entre os 41 candidatos à presidência, mas foi posteriormente desmentido pelos talebans.

Fonte: UOL