O total de brasileiros em situação de extrema pobreza diminuiu de 8,8% para 4,2%, informou hoje na terceira edição do relatório da Presidência da República. Com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 1990 a 2005, o relatório aponta também que a renda dos 10% mais pobres cresceu a uma taxa anual de 9,2%, a dos 10% mais ricos caiu 0,4% por ano.

A redução da população em extrema pobreza leva em conta o dólar no chamado Paridade do Poder de Compra (PPC), indicador global usado para eliminar a diferença de preços entre os países – em 2005, um dólar PPC por dia equivalia a R$ 40 por mês, o que configura situação de extrema pobreza.

Se utilizado como parâmetro o salário mínimo, a taxa de pobreza extrema caiu de 28% para 16% da população e a de pobreza, de 52% para 38%. No Brasil, a pobreza extrema tem sido dimensionada pelo valor equivalente a um quarto de salário mínimo de renda per capita mensal e a pobreza, por meio salário – respectivamente, R$ 89,60 e R$ 179,21 em 2005.

De acordo com o estudo, o coeficiente de Gini – um dos índices mais utilizados no mundo para medir a desigualdade – atingiu 0,566 em 2005, após uma trajetória ascendente que começou em 2001. Até então, oscilava em torno de 0,595, o que, segundo o estudo, mantinha o Brasil entre os países mais desiguais do mundo. O Gini varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de zero, menor é a desigualdade.

Desnutrição

Outra constatação é a queda na desnutrição em crianças menores de um ano, de 10,1% em 1999 para 2,4% em 2006. No entanto, o documento da Presidência aponta que a fome e a desnutrição constituem “um desafio ainda a ser vencido”, resultante, sobretudo, da “falta de acesso aos alimentos, decorrente do baixo poder aquisitivo de milhões de brasileiros”.

Objetivos do milênio

O relatório foi divulgado a sete anos do final do prazo do Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM), lançado em 2000 durante a Cúpula do Milênio das Nações Unidas (ONU). Na ocasião, 189 países fixaram oito objetivos a serem alcançados até 2015. O primeiro deles é erradicar a extrema pobreza e a fome.

Os outros são: garantir educação básica de qualidade para todos, promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres, reduzir a mortalidade infantil, melhorar a saúde das gestantes, combater o vírus HIV/Aids, a malária e outras doenças, garantir a sustentabilidade ambiental e estabelecer parcerias para o desenvolvimento. As informações são da Agência Brasil.

Fonte: Estadão