As principais igrejas do Brasil, tanto a católica como as neopentecostais (designação de algumas congregações evangélicas), estão registrando cada vez mais a presença de homens em suas celebrações. O aumento na procura masculina só cresce nos últimos dez anos.

A informação consta no mais recente estudo sobre o tema realizado pelo Nures (Núcleo de Religião e Sociedade) da Pós-Graduação da Faculdade de Ciências Sociais da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo.

Hoje, o Dia Mundial da Religião é celebrado por pessoas de todos os credos.

Integrante do núcleo, a antropóloga Eliane Gouveia explica que, no caso das igrejas neopentecostais – que segundo o último senso do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) são as que mais crescem – o que mais atrai os fiéis é a promessa de que com o encontro religioso se segue o sucesso financeiro e profissional. “As (igrejas) neopentecostais oferecem um modelo de vida associado ao aceno da prosperidade econômica”, diz a antropóloga.

Ela explica que, segundo o levantamento, há mais de dez anos, os homens vistos nas liturgias eram poucos e frequentavam as igrejas apenas aos fins de semana.

O técnico em mecatrônica Álvaro Henrique Lazzarini, 26 anos, chegou ao culto das 19h de ontem na Igreja Internacional da Graça de Deus da Rua Luís Pinto Flaquer, no Centro de Santo André. Ele conta que, há dois anos, desde que curou uma grave úlcera, vai a igreja quatro vezes por semana.

Frequentador da mesma igreja há seis anos, o coletor de lixo José Hilton Anastácio de Souza, 29, diz que o importante é louvar a Jesus, não importa em que casa. Ele conta que, segundo sua possibilidade, vai à igreja pelo menos três vezes por semana, no Centro, ou na Assembleia de Deus do bairro Capuava, onde vive com a família.

Frequência masculina cresce entre católicos

A antropóloga Eliane Gouveia conta que o estudo realizado pelo Nures constata também o aumento de frequência masculina nas igrejas católicas. Assim como nas neopentecostais, o movimento ocorre junto com uma retomada dos homens pela fé.

Porém, segundo o levantamento, diferente do que ocorre nas evangélicas, onde os fiéis buscam principalmente satisfação material ou cura para males físicos, quem retoma ou assume a fé católica busca a integração com a família e o encontro com Deus.

Frequentador da Catedral da Nossa Senhora do Carmo, no Centro de Santo André, há cinco anos, quando comungou pela primeira vez e começou a abandonar hábitos ruins (como falar palavrões), o operador de máquinas Gidevaldo Gomes da Silva, 44 anos, conta que era apenas batizado, mas que já fez até Crisma. “Praticamente todos os dias”, ele frequenta a catedral ou uma igreja no Jardim Santo André, onde mora.

Fonte: Diário do Grande ABC