“Nunca bebi sangue. Por isso, não sei que gosto tem”, disse ao Estado o ajudante-geral Vandeir Máximo da Silva, o Vlad. Conhecido como o “vampiro de Presidente Prudente”, ele negou as acusações de que tenha praticado rituais de vampirismo e satanismo.

Líder da comunidade virtual Anjos Rebeldes, ele já atraiu 17 jovens de classe média e alta. “São estudantes inteligentes e é uma pena que muitos sejam seduzidos. Infelizmente, a internet tem seu lado mau”, disse o delegado Dirceu Gravina, que apura as denúncias contra Vlad.

Aos 27 anos, separado e pai de dois filhos, ele apresenta-se como Hansho Hakhamyah e declara na internet gostar de “sangue, vinho, literatura, música e outras coisas”. Ele negou ter mordido e bebido sangue de seus 17 discípulos. “Se eu tivesse mordido alguém, teria de rasgar a garganta com um corte profundo. Antes de virem até mim, os garotos se autoflagelavam, furando o pescoço com agulhas. Eles tinham essa mania antes de me conhecer. Nunca bebi sangue.”

Quanto aos dentes caninos pontiagudos, o rapaz disse que fez uma restauração para consertar os dentes quebrados. “Não afiei os dentes, só restaurei”, disse. Vlad também é acusado de tentar persuadir uma “seguidora” a matar uma ex-namorada, que está grávida. Ele disse que a ex-namorada está sendo pressionada pela polícia para acusá-lo de vampirismo.

“Ela me acusa sozinha, mas faz isso porque está sendo forçada. Isso é uma praga pro meu lado. Jamais fiz rituais de vampirismo ou de satanismo.” Segundo Vlad, ela quer “sujar o outro” para poder se “safar”. “Ela era evangélica, foi minha vizinha, morava na minha casa com o marido e os filhos”, acrescentou. Depressivo e afastado do emprego, Vlad toma calmante, pensa em se matar e quer consultar um psiquiatra. “Estou com tontura. Preciso ir a um médico com urgência.”

Gótico assumido, Vlad admite que é fã de vampirismo e que as frases sobre ele na internet são apenas para impressionar outros góticos no RPG (jogo em que os praticantes interpretam personagens). “Há vampiros do mal, mas há os do bem, como o Dimitri e o Lestath, que eu aprecio”, afirmou.

Um dos garotos da comunidade, Felipe Destro Pazzine, de 15 anos, diz que Vlad prometia curas, imortalidade e dizia que era “de Deus”. “Ele dizia que tínhamos de lutar contra o Eric, o demônio do mal”, disse Felipe. O garoto admite que ficou frustrado quando o “vampiro” mordeu seu pescoço e ele não virou vampiro. “Ele explicou que isso não acontece de repente, é só com o tempo.”

Fonte: Estadão