Após quase três semanas em Marte, o trabalho da sonda Phoenix tem feito com que os pesquisadores fiquem “emocionados”. É assim que Nilton Rennó, 48, cientista brasileiro e um dos líderes de pesquisa da missão, descreve o que os técnicos conseguiram fazer até o momento no planeta.

“Nunca estivemos tão perto de achar vida em outro lugar, se realmente existir alguma”, afirmou o pesquisador, por telefone, de Michigan (EUA).

Segundo ele, isso ocorre em razão de Phoenix estar funcionando perfeitamente e estar supostamente fixada sobre um bloco de gelo, o que facilita a prospecção do solo –não deve ser necessário fazer buracos muito profundos.

A Phoenix está em Marte desde o dia 25 de maio com a missão investigar as características da água e outros materiais existentes no pólo norte do planeta –procurando por condições propícias para a vida no planeta, como compostos orgânicos, ou respostas para questões como a mudança climática.

“Não poderia ser melhor. Nosso objetivo era analisar o gelo e descemos justamente sobre uma placa de gelo. Depois, começamos a cavar e logo achamos o que parece ser gelo. A sonda está funcionando como um relógio suíço”, afirma o pesquisador.

Ainda não há dados que confirmem com exatidão que esse material é, de fato, água congelada, mas, segundo Rennó, “não pode ser outra coisa”.

Calor

A Phoenix deve começar nesta sexta-feira (13) a verificar as amostras recolhidas do solo do planeta, ligando um dos “fornos” do Tega (sigla em inglês para Analisador de Gás Térmico e Expandido), instrumento responsável por fazer essas análises.

A função do Tega é esquentar amostras coletadas pelo braço robótico, transformando os materiais em gases. Com isso, é possível identificar os compostos químicos e analisar sua composição.

Hoje, o forno deve ser ligado a uma temperatura de 35 ºC, suficiente para fazer com que a água se torne vapor, já que, em Marte, a água entra em ebulição a uma temperatura de 5ºC –a Phoenix tem detectado temperaturas de -85ºC a -25ºC na superfície de Marte.

Agora, os pesquisadores querem analisar a quantidade de hidrogênio e deutério (hidrogênio pesado), com o objetivo de medir a quantidade de água existente no planeta.

Análise

Nos próximos dias, a temperatura do forno será aumentada gradualmente, até chegar a quase 1.000 ºC. Com isso, será possível verificar a existência de outras substâncias, incluindo matéria orgânica, no planeta. “Na próxima semana vamos ter muita coisa importante, não só do ponto de vista do material, mas também análises químicas”, afirma o brasileiro.

Formado em engenharia pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Rennó está nos Estados Unidos desde 1986. Ele foi para o país para fazer doutorado no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), na área de ciências atmosféricas.

O engenheiro, que é professor da Universidade de Michigan, trabalha no projeto da Phoenix desde 2000. Atualmente, é líder do grupo de pesquisa atmosférica da missão.

Fonte: Folha Online