No último outono ocorreu uma pública discordância quando a CEO da Sociedade Bíblica de New South Wales, Austrália, disse que “infiltrar” Bíblias na China seria igualmente desnecessário e perigoso para os cristãos que lá vivem.

Daniel Willis disse que as novas facilidades na Amity Printing Company tornam o contrabando obsoleto. Amity, a única publicadora cristã na China que recebeu autorização do governo para publicar Bíblias, abriu, em maio do ano passado, uma filial capaz de publicar milhões de textos por mês, inclusive Bíblias.

“O senhor Willis deve ser honrado por seu compromisso na provisão de Bíblias para a China”, disse Bob Fu, presidente da China Aid. “Entretanto, ele não entendeu corretamente a possibilidade da Amity de suprir as necessidades que se apresentam na China. Sua conclusão… promove a má interpretação das metas do governo com o que foi feito”.

Amity publicou aproximadamente 11 milhões de Bíblias e Novos Testamentos em 2008 e quase 72 milhões desde 1988, quando foi inaugurada. De tudo isso, apenas 3 milhões têm sido vendidos na própria China, disse Chow Lien-Hwa, vice-presidente do conselho da Amity Press. A maioria das Bíblias é impressa em outros idiomas e distribuídas para outros 60 países.

Por mais que seja difícil definir o número de cristãos na China, dois censos independentes em 2007 contabilizaram 40 milhões de protestantes e 13 milhões de católicos, em uma população de 1.3 bilhões de pessoas.

Saber se a China publica número suficiente de Bíblias é algo difícil, de acordo com Carl Moeller, presidente da missão Portas Abertas nos EUA. “Isso significa admitir que cada Bíblia tem sido utilizada no lugar para onde foi enviada e que elas não precisam ser repostas. A verdade é que sempre será necessário publicar Bíblias na China”. “Os cristãos precisam se perguntar se as Bíblias têm sido distribuídas efetivamente”, argumentou Moeller.

Atualmente, Bíblias só podem ser vendidas em lojas das igrejas legalmente registradas junto ao governo chinês, afirmou David Aikman, autor de Jesus em Beijing. Elas não estão disponíveis nas livrarias comuns da China, embora textos sobre budismo, ateísmo e islamismo estejam.

“A fé cristã certamente tem se expandido por partes que não são atendidas pela Amity Press”, afirmou Aikman. “Utilizar outras formas de se conseguir uma Bíblia é compreensível. Não concordo com a teoria de que devamos rejeitar tudo o que seja ilegal. Se você levar esse argumento à sua conclusão lógica, considerável parte do mundo não estaria sendo evangelizada.”

Contrabandear Bíblias pode aparentar glamour, mas parece trazer mais dificuldade e prejuízo do que bondade, afirmou um diretor regional do OMF internacional, uma agência missionária ativa no leste asiático. Contrabandistas podem ser expulsos do país, mas as repercussões podem ser bem piores para os moradores que ficam.

“Temos percebido que trabalhar de forma legal na China é muito mais proveitoso, em longo prazo”, disse Cristina Graham, diretora de operações do East Gates Internacional, que trabalha com 70 pontos de distribuição de Bíblias, todos legalizados, para suprir as necessidades do povo de áreas rurais. “Temos desenvolvido um relacionamento incrível com as autoridades e com os cristãos das igrejas locais, já que optamos por trabalhar dentro das políticas estabelecidas por aquela nação. Respeitamos e valorizamos a forma pela qual estão tentando desenvolver sua história cristã”.

Portas Abertas, que tem uma história de “infiltrar” Bíblias para a China, tem dado apoio às necessidades da igreja perseguida na China, disse Moeller. “Temos apenas feito o que cristãos naquela sociedade nos têm pedido”, ele disse. “Muitos têm dito que preferem correr o risco de serem presos para conseguir um exemplar da Palavra de Deus”.

Fonte: Cristianismo Hoje