No início desse ano, o mundo teve acesso aos textos do Evangelho de Judas, fato que provocou grande entusiasmo e discussão entre historiadores, arqueólogos e a comunidade cristã. Depois de traduzido do copta, língua dos egípcios do início da Era Cristã, para o inglês, a Prestigio Editorial e a National Geografic trazem para o Brasil O Evangelho de Judas, em português.

Achado por camponeses egípcios, em 1970, o pergaminho de quase 1.700 anos só chegou às mãos de renomados estudiosos de copta e religião, no ano de 2001, para que pudesse ser restaurado, autenticado, traduzido e interpretado.

A recente descoberta mudou a imagem de traidor associada a Judas Iscariotes que era tido como delator de Jesus, levando-o à crucificação. De acordo com o manuscrito, Judas traiu Jesus a seu pedido para tornar sua morte possível, permitindo assim a fuga das amarras físicas de seu corpo e o retorno a sua morada celestial. Essa revelação fortalece a crença dos cristãos gnósticos, cuja defesa é de que o mundo material e o corpo humano foram criados por divindades inferiores e que só a busca da sabedoria esotérica ajudaria a libertar o homem da escravidão do corpo.

As conversas que Jesus teria tido com Judas, três dias antes de sua crucificação, relatadas no Evangelho, possibilitam uma nova visão para a relação de Cristo e seu discípulo, o que faz do pergaminho uma das mais importantes descobertas históricas da contemporaneidade. À tradução das 13 folhas de papiro (frente e verso) do Evangelho, foram acrescidas notas de rodapé que facilitam a compreensão do texto.

“Depois de ficar perdido por 1.600 anos ou mais, o Evangelho de Judas finalmente foi encontrado. Os autores deste volume esperam que o Evangelho de Judas possa contribuir para o conhecimento e a apreciação da história, do desenvolvimento e da diversidade do alvorecer da Igreja, além de lançar luz sobre as questões que até hoje se colocam a respeito desse período de formação”, escreve, na introdução, Marvin Meyer, professor de Estudos Bíblicos e Cristãos da Universidade de Chapman (EUA), um dos envolvidos no projeto de recuperação e interpretação do Evangelho de Judas.

O Evangelho de Judas que chega ao Brasil também traz comentários abrangentes sobre o texto, escritos pelos estudiosos envolvidos no projeto. Além deles, o livro conta ainda com texto de Bart Ehrman, professor do Departamento de Estudos religiosos da Universidade da Carolina do Norte (EUA) e autor do livro O que Jesus disse? O que Jesus não disse?, a ser lançado no País pela Prestígio Editorial. Os comentários enriquecem a leitura, pois levantam discussões sobre o Evangelho, contextualizando-o nos primórdios do cristianismo e oferecendo uma nova abordagem acerca da mensagem de Jesus Cristo.

O códice completo contém, além do Evangelho, mais três textos que estão em processo de restauro e tradução. Os outros são: Tiago, a Epístola de Pedro a Filipe e o fragmento de um texto que os estudiosos intitularam, provisoriamente, de Livro de Alógeno. O Evangelho de Judas é de grande interesse para historiadores, teólogos, estudiosos bíblicos e fascinados pela história antiga, mas, sobretudo, para os que querem conhecer uma parte até então oculta da vida de Jesus Cristo.

A história do Evangelho de Judas

O primeiro registro conhecido do Evangelho de Judas foi feito por volta do ano 180 d.C., quando o bispo Irineu de Lyon, homem de muita influência na Igreja, condenou-o como herético. Só em 1970, foram encontradas, por camponeses egípcios, as 67 folhas de papiro encadernadas em couro, que contêm as 13 folhas do Evangelho de Judas. Porém, pelos 30 anos seguintes, o códice circulou pelo mercado de antiguidades numa verdadeira aventura que é contada no livro O Evangelho Perdido – a descoberta e recuperação do evangelho de Judas Iscariotes, próximo lançamento da Prestígio Editorial e da National Geografic previsto para setembro. A restauração e a tradução do manuscrito completo, conhecido como Códice Tchacos, está a cargo da Fundação Maecenas para a Arte Antiga, na Suíça. Após a conclusão do trabalho, o documento restaurado será doado ao governo egípcio e guardado no Museu Copta do Cairo.

Sobre os autores

Os comentários que acompanham a tradução do Evangelho de Judas, da Prestígio Editorial, foram elaborados pelos estudiosos envolvidos no projeto de recuperação do códice: Rodolphe Kasser, Professor Emérito da Faculdade de Arte da Universidade de Genebra, na Suíça; Marvin Meyer, professor da bolsa Griset de Estudos Bíblicos e Cristãos na Universidade de Chapman e diretor do instituto Albert Schweitzer, na mesma instituição, que fica em Orange, Califórnia, nos EUA; e Gregor Wurst, Professor de História do Cristianismo na Faculdade de Teologia Católica da Universidade de Augsburgo, na Alemanha. Além deles, também colabora Bart Ehrman, professor catedrático do Departamento de Estudos religiosos da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill (EUA) e autor do livro O que Jesus disse? O que Jesus não disse?, campeão em vendas nos EUA.

Fonte: Bem Paraná