As autoridades israelenses anunciaram nesta segunda-feira a suspensão das obras polêmicas de construção de uma passarela em um local sagrado para judeus e muçulmanos em Jerusalém, enquanto são realizadas consultas públicas.

O prefeito de Jerusalém, Uri Lupolianski, disse que a decisão foi tomada para que o público em geral possa expressar qualquer oposição à obra.

Porém as escavações preparatórias continuam na área, apesar das manifestações violentas de fiéis muçulmanos na semana passada.

As autoridades israelenses querem reconstruir uma passarela destruída no local, mas os muçulmanos dizem que a obra ameaça suas fundações.

O local abriga a mesquita de Al-Aqsa, o terceiro local mais sagrado para o Islã, e é reverenciado pelos judeus como o terreno de seus templos bíblicos.

Revisão completa

Lupolianski disse que a construção da nova passarela deverá ser submetida agora a uma revisão completa. O projeto pode ser adiado por meses ou ter seu cancelamento ordenado.

Segundo as autoridades, a decisão não deve afetar os trabalhos já em andamento, nos quais os arqueólogos estão realizando escavações exploratórias para garantir que nenhuma ruína importante seja danificada pela construção da passarela.

As escavações provocaram a ira de muçulmanos em todo o mundo. A Liga Árabe as classificou como “um ataque criminoso” e pediu às Nações Unidas que intervenham.

O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, havia se recusado a suspender as reformas, apesar dos choques recentes e da oposição dentro de sua coalizão.

Dirigindo-se à reunião semanal de gabinete no domingo, ele disse que a obra era essencial para reparar uma estrutura perigosa e não afetaria a área da mesquita.

Policiamento

Mais de 2 mil policiais israelenses foram deslocados para reforçar a segurança no local após dois dias de choques violentos, nos quais dezenas ficaram feridos em Jerusalém e na Cisjordânia.

O local, na Cidade Antiga de Jerusalém – uma área capturada por Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967 – tem sido tradicionalmente um palco para a violência.

Em 1996, a abertura de um túnel próximo ao local, por Israel, gerou confrontos entre manifestantes palestinos e tropas israelenses, nos quais 80 pessoas morreram.

Em 2000, a visita ao local do então líder da oposição de Israel, Ariel Sharon, provocou os protestos que culminaram com a segunda Intifada (levante palestino).

Fonte: BBC Brasil