Países membros do Conselho de Segurança da ONU condenam perseguição dos jihadistas aos cristãos. Acadêmico britânico constatou que a situação atual é “digna de desprezo”.

O Conselho de Segurança da ONU denunciou a perseguição que jihadistas do EI (Estado Islâmico) mantêm contra as minorias no Iraque, especialmente os cristãos de Mossul, cidade localizada no norte do país, recordando que os atos podem constituir um crime contra a humanidade.

Em uma declaração unânime adotada na noite desta segunda-feira, 21, os 15 países membros do Conselho “condenam nos termos mais enérgicos possíveis a perseguição sistemática por parte do EI e seus grupos partidários de indivíduos pertencentes a minorias e de pessoas que rejeitam a ideologia extremista do EI”.

“Os ataques sistemáticos e em grande escala contra a população civil motivados por sua origem étnica ou religiosa ou por sua fé podem constituir um crime contra a humanidade pelo qual os responsáveis terão de prestar contas”, afirma a declaração.

[b]Ataques[/b]

Na véspera, os jihadistas do EI tomaram o controle de um antigo mosteiro localizado ao norte do Iraque, de onde expulsaram seus monges, informaram testemunhas e um religioso.

Os combatentes do EI invadiram no domingo o monastério de Mar Behnam, um dos locais de culto mais antigos do cristianismo no Iraque, e obrigaram uma comunidade de monges da Igreja Católica síria a deixar o local, situado perto de Qaraqosh, no norte do país.

“Vocês já não têm mais lugar aqui. Devem ir embora imediatamente”, disseram os insurgentes deste grupo ultrarradical sunita, segundo um membro do clero sírio.

Os monges caminharam vários quilômetros antes de serem levados pelos combatentes curdos peshmergas até Qaraqosh, segundo habitantes cristãos da cidade.

A Igreja Católica síria indicou que os jihadistas expulsaram cinco monges. Segundo famílias cristãs da região, nove religiosos viviam no monastério.

O EI lançou na sexta-feira um ultimato à minoria cristã de Mossul, cidade sob controle dos insurgentes, para que a abandonassem.

[b]Silêncio sobre perseguição aos cristãos no Iraque é questionado por estudioso britânico[/b]

Ao pesquisar sobre a perseguição de cristãos iraquianos, um acadêmico britânico constatou que a situação atual é “digna de desprezo”.

Tim Stanley escreveu um artigo para o diário britânico The Telegraph recentemente, onde deixa queixas sobre o êxodo de cristãos do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL).

No texto, ele retrata o contexto como um “crime de guerra que, estranhamente, parece que ninguém quer se pronunciar” a respeito.

[img align=right width=300]http://images.christianpost.com/portugues/middle/56736/iraque.jpg[/img]Dentro das obrigações que os cristãos iraquianos vivem, ele entende que o momento dos cristãos no país se resume a “uma escolha pouco atraente: se converter, pagar um imposto religioso, ou ser colocado para a espada”.

Durante o período sob comando do ditador Saddam Hussein, há pouco mais de dez anos, antes da invasão dos EUA, a população cristã no Iraque era de cerca de 1,5 milhões de pessoas.

Uma das principais reivindicações de Stanley é para que o Ocidente se mova, já que esteve tão envolvido no Iraque na última década e hoje cala sua voz.

“As ruas de Londres se enchem de milhares que marcham contra a operação militar de Israel na Faixa de Gaza; o Ocidente trilha poderosamente contra os separatistas na Ucrânia, mas quanto ao Iraque não há nada”, questiona o estudioso.

Para Stanley, os chefes de Estado ocidentais estão mais preocupados com questões de território do que sobre direitos humanos, o que “faz nos sentir envergonhados com a própria ideia de ver cristãos como uma minoria perseguida”.

Ele acrescenta que “ocidentais têm sido treinados a pensar nos cristãos como ‘agentes de agressão, e não a sua vítima’, e por isso estão surdos aos pedidos de ajuda”.

Seja qual for a razão, Stanley aponta que alguma providência deve ser tomada, pois tal silêncio não pode ser tolerado, sobretudo pelo esforço que o povo cristão do Iraque tem manifestado para continuar professando sua fé.

“Qualquer desgosto com a nossa própria covardia moral deve ser equilibrada pela admiração para os iraquianos que continuam a dar testemunho de sua fé, em uma terra que se move cada vez mais perto de proibi-los. A sua resiliência ilustra a diferença entre o islamismo fundamentalista e o cristianismo. O primeiro é uma religião de assassinos, este último é uma religião de mártires”, complementa o acadêmico, criticando o lado extremista do Islã.

[b]Fonte: The Christian Post[/b]