Um fato novo reacendeu a polêmica entre o ex-pároco de Água Fria, Zona Norte do Recife, João Carlos Santana da Costa e o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho. Ontem, o padre prestou queixa, na Delegacia do Alto do Pascoal, em Recife, contra o padre Edmilson, que assumiu a paróquia em seu lugar, no ano passado.

Segundo o padre João Carlos, o colega de ministério, com outras três pessoas, invadiu a Capela de São Sebastião, também em Água Fria, na qual ele realiza atualmente trabalhos pastorais.

“Fui avisado da invasão por vizinhos e quando cheguei à capela os encontrei. Pedi algum documento que justificasse a atitude e eles disseram que se tratava de uma ordem de dom José e da Cúria Metropolitana (o centro administrativo da Igreja)”, contou o religioso. Ele também afirmou que para entrar na capela, o grupo arrombou os cadeados.

Uma das pessoas que acompanharam o padre na delegacia, Fabiana Barbosa, 31 anos, mora próximo à capela e disse ter visto o momento em que o templo foi invadido. “Eu estava na rua e vi a quando eles chegaram e quebraram os cadeados”, contou. Para o padre João Carlos, o ato tem relação com sua saída da paróquia de Água Fria.

Afastado pela primeira vez em 2006, o padre João Carlos travou uma batalha judicial para permanecer à frente da paróquia. O impasse culminou em um pedido de reintegração de posse por parte da arquidiocese. Atualmente, o padre realiza trabalhos paroquiais nas capelas e comunidades da região.

De acordo com ele, a arquidiocese foi arbitrária porque o pedido de reintegração de posse se referia apenas à igreja matriz e às casas paroquiais ligadas a ela. “Eu saí da paróquia. Mas não deixei de exercer as atividades de um padre. Continuo fazendo os trabalhos paroquiais. Eles acham que aquilo pertence à matriz. Mas a capela é da comunidade”, defendeu. O padre afirmou que não irá contactar a Cúria ou o arcebispo. “Essa é uma questão judicial.” A arquidiocese foi procurada por telefone, mas não deu retorno.

Entre as divergências do padre com a arquidiocese, está um pedido de devolução de R$ 72 mil, referentes a reformas no templo de Água Fria. As despesas teriam sido feitas com recursos próprios e nunca ressarcidos.

Fonte: JC Online