O padre, de 46 anos e afastado do sacerdócio, disse que a sexualidade nasceu da proximidade com as crianças.

Um padre católico da cidade alemã de Salzgitter reconheceu nesta quinta-feira diante de um tribunal de Braunschweig, no estado federado da Baixa Saxônia (norte do país), ter abusado centenas de vezes de três menores.

O homem, de 46 anos e afastado do sacerdócio, declarou que sua intenção não era que os meninos sofressem e ressaltou que a sexualidade nasceu da proximidade com as crianças.

‘Minha intenção não era me insinuar aos meninos’, afirmou o religioso, que entre outras coisas fotografou sua primeira vítima nua contra sua vontade.

Além disso, reconheceu que com 20 anos se deu conta de sua falta de interesse pelas mulheres e de sua atração por homens, embora tenha afirmado que nunca manteve uma relação séria com uma pessoa do mesmo sexo.

No final de junho do ano passado, a mãe de uma das crianças, que tinha 10 anos no começo dos abusos, em 2004, denunciou o religioso, preso semanas mais tarde.

Em 2006, o bispado já havia chamado a atenção do sacerdote depois que a mãe reclamou da excessiva confiança que o padre demonstrava ao lado das crianças.

Posteriormente, outras duas vítimas confirmaram ter sofrido abusos sexuais por parte do religioso entre 2004 e 2007, respectivamente, durante cerca de dois anos.

A Promotoria de Braunschweig indicou que o padre aproveitava o contato frequente com os menores, como nas aulas de catequese, para ganhar a confiança deles e de seus pais.

As agressões, um total de 280 reconhecidas pelo próprio sacerdote, aconteceram durante pequenas saídas com os meninos nas quais passavam a noite fora de casa.

Este novo caso de violência sexual veio à tona pouco depois do anúncio da Igreja Católica de sua disposição de abrir pela primeira vez seus arquivos a analistas independentes para investigar casos de abusos em suas instalações desde 1945.

Para isso, os especialistas estudarão os arquivos e falarão com vítimas e acusados a fim de esclarecer sob quais circunstâncias ocorreram os abusos sexuais e como a igreja respondeu aos mesmos.

Os primeiros resultados dos estudos, que serão realizados pelo Instituto de Criminologia da Baixa Saxônia e o Instituto de Psiquiatria Legista da Universidade de Essen-Duisburg, serão divulgados em aproximadamente seis meses.

[b]Fonte: Veja.com[/b]