Um processo de canonização, envolvendo o padre Leonardo Sikufinde, de nacionalidade angolana, está a correr os seus trâmites no Vaticano, há mais de nove anos.

A informação foi ontem avançada pelo Cónego Apolónio Graciano, durante uma entrevista que será publicada, integralmente, no Dossier deste domingo.

O padre Leonardo Sikufinde, que pertenceu à Diocese do Cunene, de onde era natural, faleceu no início dos anos oitenta. Segundo o cónego Apolónio Graciano, é depois de cinco anos do falecimento que se deve introduzir a causa da canonização, algo que não foi confirmado pela fonte, que explicou ser um trabalho da Diocese do Cunene.

A canonização, segundo o cónego Apólonio Graciano, “é um processo que leva tempo, porque há sempre aquela necessidade de pesquisar as pessoas que conheceram o padre em causa”.

A investigação é outro passo para a canonização de alguém, trabalho que visa confirmar os milagres atribuídos à pessoa a canonizar.

Sobre isso, o cónego Apolónio Graciano disse que já há alguns sinais, algo que tem que ser estudado por via de um trabalho feito pela Igreja em parceria com cientistas.

“São sinais de cura, ou seja, milagres de cura, que concorrem precisamente para a canonização de alguém”, sublinhou a fonte, que, no entanto, revelou ter sido o Dom Eduardo André Muaca a pessoa que deu início ao processo de canonização do padre Leonardo Sikufinde.

A uma pergunta sobre se o processo pode ser reprovado pelo Vaticano, o cónego Apolónio Graciano respondeu que pode ser reprovado como pode ser aprovado ou ainda mesmo arquivado, à espera de mais dados.
Segundo o eclesiástico, é preciso que haja dinheiro para se levar avante uma causa, já que é necessário que se pague os investigadores. E não é pouco dinheiro. “É uma quantia considerável”, acentuou a fonte, que disse acreditar haver santos anónimos angolanos.

“Posso dizer que há famílias que tiveram, no seu seio, gente boa, já falecida, que merecia o título de Santo”.

Acrescentou: “posso dizer que tenho familiares que já morreram, que, pela vida que tiveram, pelas virtudes que revelaram, as considero santas”.

Fonte: Jornal de Angola