O padre Nicolás Alessio, da cidade de Córdoba, na Argentina, anunciou no domingo em tom de desafio que está disposto a oficializar o casamento religioso de um casal homossexual.

“Se um casal gay me pedir, farei o casamento com grande prazer”, declarou.

Alessio lamentou a posição da alta hierarquia da Igreja Católica sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. “É uma pena que a Igreja ainda seja tão autoritária, tão indisposta a compreender a diversidade.”

A aprovação da lei que permite o casamento entre homossexuais na Argentina, na quinta-feira, continua gerando críticas da Igreja. No sábado, durante a procissão anual da Virgem de Itatí, na província de Corrientes, o bispo Andrés Stanovik ressaltou que “ninguém sabe onde essa lei nos levará”. Segundo o bispo, “Jesus nasceu homem” e aprendeu com seus pais “o bem que existe na diferenciação entre um homem e uma mulher”.

Assinatura. A lei que permite o casamento gay será promulgada na quarta-feira pela presidente Cristina Kirchner. A promulgação, segundo María Rachid, da Federação Argentina de Lésbicas, Gays e Bissexuais, será realizada em uma cerimônia na Casa Rosada, o palácio presidencial.

Entre os casais que aguardam a entrada em vigor da lei está o formado pelo ator Alejandro Vanelli, de 61 anos, e o empresário artístico Ernesto Larresse, de 60. “Estamos muito felizes. Com essa lei a Argentina torna-se um país mais solidário e livre”, disseram Vanelli e Larresse, que moram juntos há 34 anos.

No entanto, diversos juízes no interior do país declararam que não aceitarão realizar casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Na sexta-feira, a juíza Marta Covella, da cidade de General Pico, na província de La Pampa, alegou que “Deus lhe disse” que esse tipo de casamento é contra a “lei divina”. Ontem foi a vez do juiz Alberto Arias, da cidade de Concórdia, na província de Entre Ríos. “Por qual motivo vão me obrigar a casá-los, se outra pessoa pode fazer esse casamento em meu lugar?”

Fonte: Estadão