O ex-capelão da Paróquia de Nossa Senhora de Loretto, da Base Aérea de Fortaleza, José Severino Cheregatto, prestou depoimento, na tarde de ontem, na sede da Auditoria Militar Federal, em Fortaleza, Ceará.

A audiência fez parte do processo impetrado pelo Ministério Público Militar, que acusa o padre de ter desviado dinheiro obtido com a cobrança de taxas de batizados e casamentos realizados naquela paróquia, no período em que ele era capelão.

Com um depoimento marcado por 17 declarações do tipo “não me recordo”, o padre conseguiu disse ter “esquecido” de detalhes importantes segundo a Promotoria, como por exemplo, o que foi feito com R$ 50 mil em dinheiro, sacados de sua conta, no dia 12 de julho de 1999.

Ele não conseguiu lembrar também, de onde apareceram R$ 31.779,00 depositados na referida conta e na mesma data. Cheregatto disse sabia que o dinheiro lhe pertencia, mas não recordava a origem.

No entanto, lembrou com detalhes as três obras feitas na capela sob sua administração. Ao ser perguntado se o dinheiro usado nas obras era todo oriundo de doações e contabilizado, afirmou “não se recordar”.

O promotor Alexandre Saraiva afirmou ter ficado perplexo com as contradições. “O capitão lembra o que lhe convém e esquece o que lhe prejudica. Ele lembra de reformas, mas não lembra da movimentação financeira, nem da compra de um imóvel em São Paulo, no valor de R$ 42 mil, nem de saques em dinheiro feitos na sua conta.

Para o promotor, Cheregatto se valia da situação de capelão para receber doações, o que caracteriza o crime de peculato, apropriação indébita usando a condição de ser funcionário público.

Defesa

Para o advogado do ex-capelão, Marcelo Holanda, Cheregatto conseguiu provar com sua inocência. Segundo Holanda, o padre não se apropriou de valores da igreja. Quanto aos ‘esquecimentos’ do acusado, Holanda justificou dizendo que o período do padre como capelão foi muito longo, quase 12 anos.

Fonte: Diário do Nordeste