O padre João Carlos Santana, 42 anos, que administrava há onze anos a paróquia de Santo Antônio, no bairro de Água Fria, no Recife, disse que não vai recorrer da decisão judicial para permanecer no cargo.

Ele foi comunicado que deveria se retirar da igreja na última terça (21), quando um oficial de Justiça interrompeu a missa para informá-lo da decisão.

Padre João Carlos diz que está decepcionado com tudo o que ocorreu. “Não há mais condições de trabalhar. Com o direito de trabalhar cerceado e marginalizado por essa campanha difamatória em cima de mim, com padres nas igrejas lendo, falando, me difamando, não há mais condições. Acho até que o povo de Água Fria foi muito firme em acreditar no seu pastor”, lamentou.

O religioso afirmou que espera ainda um posicionamento da Justiça sobre o ressarcimento de gastos feitos por ele em reformas no prédio da igreja, cujo valor total a ser reembolsado está em torno de R$ 72 mil.

Os fiéis que estavam presentes no momento da chegada do oficial de Justiça protestaram com orações e cânticos. A Polícia Militar foi chamada para reforçar a segurança.

Uma das secretárias de dom José Cardoso Sobrinho, Judite Cardoso, informou por telefone à reportagem da TV Globo que a Arquidiocese de Olinda e Recife reforça as acusações contra o padre. Com relação ao protesto dos fiéis, a Arquidiocese considera normal, já que as pessoas são amigas do padre.

Entenda o caso

O padre é acusado pela Arquidiocese de envolvimento com um homicídio, que teria sido praticado na Paraíba, em 2006. Por conta disso, o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, vem tentando retomar a capela onde as missas são celebradas.

Em janeiro deste ano, uma decisão favorável a dom José determinou a saída do padre João, mas, depois de mobilização da comunidade, uma liminar da Justiça liberou o religioso para continuar as cerimônias. Na última terça-feira, uma nova ação judicial determinou a saída do padre.

Dom José Cardoso também acusou o padre João Carlos de manter um relacionamento amoroso com a prima em segundo grau, Ivânia Olímpio de Almeida. Ivânia processou o arcebispo, acusando-o de calúnia, injúria e difamação. Os advogados do padre disseram que o envolvimento de João Carlos com o homicídio nunca foi provado e que o processo está arquivado.

Mesmo quando foi proibido pela Justiça de realizar as missas, padre João continuou a convidar fiéis a participarem dos encontros.

Fonte: pe360graus