Um padre que também é coronel da Polícia Militar de São Paulo está sendo acusado de desviar pelo menos R$ 2 milhões de doações de fiéis.

O santo é famoso por atender causas urgentes. Mas, de acordo com a investigação, o que o responsável pela capela de Santo Expedito fez com o dinheiro dos fiéis não tem nada de urgente.

Segundo o Ministério Público Militar, o capelão Osvaldo Palópito usou dinheiro arrecadado pela igreja para comprar automóveis, uma cobertura no litoral de São Paulo, avaliada em mais de R$ 2 milhões, e para montar um empório, no mesmo condomínio de luxo onde fica a cobertura. Para evitar problemas, o capelão colocou o negócio no nome de uma mulher com quem ele vivia, segundo a promotoria.

“É um crime militar um oficial exercer o comércio. Ele exercia funções no caixa, adquiria produtos, levava os produtos para o empório. Ele, na verdade, era o gerente daquele empório”, explica o promotor de Justiça Militar Marcelo Alexandre de Oliveira.

O promotor encontrou no empório dois eletrodomésticos que, pelas notas fiscais, foram comprados em nome da igreja. Em maio, o promotor do Ministério Público Militar descobriu que o capelão pretendia vender a cobertura da praia para fugir do Brasil. E pediu a prisão preventiva dele. O capelão ficou preso pouco mais de quatro meses até quarta-feira (7) quando ele foi libertado depois de conseguir um habeas corpus.

Neste sábado (10), o padre negou todas as acusações. “Nunca saquei um dinheiro do banco, nunca saquei cheque, pelo contrário, o contador é que vinha fazendo as manipulações dos balancetes sem eu perceber”, afirma o padre militar acusado Osvaldo Palópito.

Os relacionamentos do capelão, fora da igreja, também chamaram a atenção da promotoria. Em um telefonema gravado com autorização da Justiça, ele conversa com uma amiga a respeito de uma outra mulher.

Padre Osvaldo: O que ela falou?
Amiga: Falou para mim que o senhor agarrou ela e jogou na mesa.
Padre: Filha da p… filha da p… ela me agarrou. Eu falei: a sua filha, sim, é uma gatinha. Fala para ela ficar nua perto de mim, não você.

O padre disse que a gravação telefônica é uma montagem. O contador da capela afirmou que seguiu as ordens do padre Osvaldo, inclusive para fazer depósitos em uma conta que não era a da igreja. O Ministério da Defesa, responsável pela capela, declarou que vai investigar e enviar as conclusões ao Vaticano.

[b]Fonte: O Globo[/b]