Um sacerdote caldeu da Igreja católica foi assassinado neste domingo em Mossul (norte do Iraque) em frente à igreja do Espírito Santo junto a três diáconos, também abatidos, anunciou a agência católica Asianews em comunicado confirmado pelo general Mohamed Al Waga, da polícia da cidade.

“Um grupo armado matou a tiros o padre Ragheed Ganni, de 31 anos, e três de seus assistentes, pouco depois da missa dominical”, informou a Asianews, acrescentando que “os corpos ainda estavam nas ruas porque ninguém ousava recuperá-los, devido ao clima de tensão” reinante, acrescentou.

A Comissão americana para a Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF) alarmou-se recentemente com a deterioração das liberdades religiosas no Iraque devido à violência confessional, destacando a difícil situação atravessada por cristãos caldeus e assírios.

Segundo o general Mohamed Al Waga, “o padre e três diáconos foram vítimas do disparo de armas automáticas diante da igreja no bairro de Nur, em Mossul, após a missa que terminou às 19H30 (15H30 GMT); o sacerdote e os diáconos chegaram a sair de carro do local, mas a uma centena de metros um veículo bloqueou a rua e saíram dele quatro homens armados.

“Os homens os obrigaram a deixar o veículo e atiraram à queima-roupa”, relatou.

Mossul, a terceira cidade do país, a 370 km ao norte de Bagdá, é capital da província de Nínive.

“No Iraque pós-Saddam Hussein, os cristãos são objeto de verdadeiras perseguições, denunciadas com freqüência por bispos caldeus e ortodoxos”, segundo a Asianews, lembrando que a igreja diante da qual foi assassinado “chegou a ser atacada e bombardeada há alguns meses”.

O padre assassinado havia estudado na Itália e falava árabe, italiano, francês e inglês.

Em Bagdá, o embaixador americano no Iraque Ryan Crocker afirmou em entrevista à Fox News que seu país estava aberto a conceder anistia a antigos insurgentes da rede terrorista Al-Qaeda.

“Como parte de um processo de reconciliação política, uma anistia pode ser muito importante”, explicou.

No entanto, segundo ele, os casos de pessoas que têm as mãos manchadas de “sangue americano” deverão ser “considerados com muito cuidado”.

Segundo Crocker, “tribos e outras pessoas que em algum momento se alinharam, ou pelo menos simpatizaram com a Al-Qaeda mudaram de posição e agora apóiam a coalizão iraquiana em seus esforços” contra a rede terrorista”.

Em San Aantonio, nos EUA, o militar que esteve no comando das forças da coalizão dirigidas pelos Estados Unidos quando começava a guerra civil pela insurgência iraquiana, o tenente-general reformado Ricardo Sanchez, afirmou que seu país pode ir-se esquecendo da hipótese de vir a ganhar a guerra no Iraque.

“Acho que se fizermos o certo política e economicamente com a liderança iraquiana correta ainda podemos sair pelo menos do estancamento e, pelo menos, prevenir uma derrota”, afirmou em recente entrevista à AFP.

Sanchez é o primeiro militar de alta patente a sugerir que o presidente George W. Bush não esteve à altura de seu papel no Iraque. Segundo o general, os Estados Unidos sofrem de uma “crise de liderança”.

Sanchez disse que a situação no Iraque, a que qualificou de sombria, era conseqüência da “péssima atuação nas primeiras etapas e na transição da soberania”.

Fonte: G1