Pela primeira vez na história chilena, um padre da Igreja Católica foi indiciado por abusos de direitos humanos cometidos durante o governo militar do general Augusto Pinochet, que comandou o Chile de 1973 a 1990.

A Corte de Apelações de Antofagasta, no norte do Chile, indiciou o padre Luis Jorquera Molina e outras 11 pessoas por sua ação em esquadrões da morte durante o regime militar chileno.

Jorquera, cujo paradeiro é desconhecido, foi acusado à revelia de encobrir as mortes de 28 dissidentes em uma operação conhecida como Caravana da Morte.

Ele era capelão em uma prisão militar instalada no norte do Chile pouco depois do golpe militar no qual Pinochet tomou o poder, em 11 de setembro de 1973.

Segundo testemunhas, o padre exumou os corpos das vítimas dois anos depois de seus assassinatos. Os cadáveres foram, então, colocados em sacos e jogados de um avião no mar.

Jornais chilenos publicaram declaraçoes de Jorquera nas quais ele nega envolvimento na Caravana da Morte.

A Caravana da Morte se tornou um dos casos de violação de direitos humanos mais notórios do regime de Pinochet.

Essa operação militar viajava pelo país para elimitar opositores do governo. Calcula-se que 75 pessoas foram executadas pela Caravana da Morte.

Mais de 3 mil opositores foram torturados, assassinados ou exilados durante o regime de Pinochet.

O general morreu em dezembro de 2006, aos 91 anos de idade, sem ter sido julgados por seus crimes.

Fonte: BBC Brasil