O padre Jair Todescatt está fora das atividades da Paróquia São Cristóvão, de Sinop, Mato Grosso, devido às acusações de manter relacionamento sexual com uma jovem de 15 anos por um período de quatro meses.

Ele deixou de ser o responsável pela paróquia no dia 19 deste mês, quando os pais da jovem descobriram o caso e procuraram à polícia e o Ministério Público Estadual para que providências fossem tomadas.

A mãe da jovem, que preferiu não ser identificada, contou ontem à reportagem como teve conhecimento do relacionamento entre sua filha e o pároco. Ela explica que participava na igreja como catequista e que a filha participava dos eventos e do grupo de jovens da igreja. A partir de uma amiga, ficou sabendo que o padre teria levado sua filha a um baile em uma comunidade rural. “Fui investigar e fiquei sabendo que o padre tinha pegado minha filha às 23h na porta de casa, para levar no baile da Brígida, e deixou às 3h da madrugada. Na época, fomos até o bispo para falar sobre o caso. Duas semanas depois fiquei sabendo que os dois estavam tendo um caso de verdade e ela estava encobrindo ele”.

A mãe da jovem conta que a moça admitiu que mantinha relações sexuais com o padre. A jovem afirmou que o pároco sempre a assediava na igreja e que as insinuações eram constantes, tendo início ainda quando a moça estudava para fazer a primeira eucaristia – uma cerimônia religiosa católica em que os cristãos recebem pela primeira vez o “corpo e sangue de Cristo sob a forma de pão e vinho”. “Ele vivia assediando ela na igreja até que cedeu. Eu via os olhares, mas a gente tem respeito, para falar alguma coisa, porque ele era padre”, disse a mãe. Quando os pais da jovem descobriram o caso, o padre teria ameaçado a menor e dado dinheiro a ela para que fugisse da cidade.

“Eles conversavam pela internet, pelo telefone, ele rastreava ela. O padre fez ameaça a ela quando quis parar. Ele disse que se minha filha não continuasse saindo com ele, iria falar com os pais dela, e ela acreditou. Sabe como é cabeça de criança, acredita mesmo. Mas imagina só se um cara que está saindo com uma menina vai ter coragem de falar com os pais. E foi então que ela deve ter comentado que nós estávamos desconfiados, e ele a ajudou a fugir. Veio aqui em casa e a tirou de noite e a levou para a rodoviária. Deu dinheiro para ela ir para outra cidade. Foi para a casa da madrinha em Alta Floresta, saiu daqui 2h da madrugada e chegou lá às 8h30 da manhã”.

Conforme a mãe conta, o pároco mantinha o relacionamento desde junho deste ano. “Isso não podia acontecer. Ele não é simplesmente um padre, ele é pároco, ele que comandava a igreja, ele era responsável por tudo lá”. O caso está sendo investigado pela Promotoria e se confirmadas as suspeitas, Todescatt pode responder por assédio e corrupção de menor. “A promotora falou, minha filha tem 15 anos, mas não pensa ainda como adulto, não raciocina direito. Ele tem 37 anos e está no último ano do curso de Direito, então ele sabe o que estava fazendo”, afirmou a mãe da jovem. A menor fez exame de corpo de delito no último dia 22 e a família aguarda ser chamada para prestar depoimento sobre o caso. O padre afirmou que espera a designação de um advogado pela Mitra Diocesana de Sinop para se defender.

Fonte: Diário de Cuiabá