Um pai-de-santo afirmou que pode ter sido o autor da morte do pastor Francisco de Paula Cunha de Miranda, mas disse que não lembra de nada porque estava incorporado durante o período em que houve o crime.

O ex-mecânico Júlio César Bonato, 40 anos, que há dez anos dirige um centro de umbanda e quimbanda no Bairro Aviação, foi ouvido ontem na delegacia. Frenqüentadores do terreiro confirmam que Bonato seguiu em direção a Miranda, durante um ritual.

Fundador da Igreja Ministério de Fogo para as Nações, o pastor de 44 anos foi encontrado morto a facadas na Rua Conde D’Eu. Segundo o delegado Luciano Menezes, testemunhas disseram que durante a sessão de umbanda Miranda postou-se ao lado do terreiro e passou a gritar palavras contra os freqüentadores, tais como “fora satanás”. Bonato, que dentro do rito estaria incorporando um exu – entidade espiritual da religião afro –, ordenou que todos o esperassem e saiu na direção do pastor.

As testemunhas afirmam que ele voltou em seguida, mas garantem não ter visto o que aconteceu. Bonato, por sua vez, alega não lembrar de nada, pois teria incorporado o exu João Caveira. A polícia apreendeu três facas ensangüentadas, utilizadas no sacrifício de animais durante o ritual, e vai encaminhá-las a perícia para checar se alguma foi empregada contra o pastor. De acordo com o delegado, se for comprovada a autoria do pai-de-santo, ele responderá por homicídio mesmo atribuindo o fato ao exu.

Fonte: Gazeta do Sul